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SP Mobile usa dados de telefonia para rastrear 54 mil celulares com restrição criminal

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O programa SP Mobile, da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, iniciou nesta quarta-feira (4) o envio de 54 mil notificações a celulares com restrições criminais em todo o estado. É a maior operação já realizada pela iniciativa desde o início do levantamento, em 2022, e reforça o uso de dados de telefonia como ferramenta de inteligência na localização de aparelhos furtados ou roubados.

Os dispositivos foram identificados após serem reativados por terceiros. Para chegar a eles, a Polícia Civil cruza informações registradas em boletins de ocorrência com dados fornecidos pelas operadoras de telefonia. O trabalho também conta com integração da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Do total de notificações, 21,7 mil serão destinadas à capital paulista e 13 mil à Grande São Paulo. As demais serão distribuídas por regiões como Campinas, Santos, Sorocaba, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Piracicaba e Araçatuba.

Quem receber a notificação deverá comparecer a uma delegacia em até sete dias, levando o aparelho e os documentos necessários. O atendimento poderá ser feito inclusive aos finais de semana. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o não comparecimento poderá resultar no bloqueio do dispositivo e, dependendo das circunstâncias, em investigação por possível receptação.

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Dados de telefonia ampliam capacidade de rastreamento

O diferencial do SP Mobile está justamente no uso da tecnologia para acompanhar o ciclo posterior ao furto ou roubo. Quando um aparelho volta a ser ativado em uma rede de telefonia, informações técnicas podem ser cruzadas com registros policiais e ajudar na identificação de celulares que permanecem em circulação mesmo depois de terem sido subtraídos.

Segundo o coordenador do programa, delegado Rodolfo Latif Sebba, o envio de 54 mil notificações demonstra o aumento da capacidade de rastreamento. “O envio de 54 mil notificações demonstra o alcance que o SP Mobile vem conquistando na identificação de celulares com restrições criminais.”

Ele acrescenta que o objetivo é reduzir a circulação dos aparelhos no mercado ilegal. “Cada aparelho localizado representa uma possibilidade de recuperação e de devolução ao seu verdadeiro proprietário. Nosso trabalho é justamente interromper o ciclo de circulação desses dispositivos no mercado ilegal.”

A estratégia mostra como bases de dados, sistemas de telecomunicações e investigação policial estão cada vez mais integrados. Em vez de atuar apenas no momento do crime, o programa acompanha o que acontece depois, quando o equipamento é revendido, reativado ou utilizado por outra pessoa.

Programa já recuperou quase 40 mil aparelhos

Em pouco mais de um ano e quatro meses de atuação, o SP Mobile contribuiu para a recuperação de 39,6 mil celulares com registro de furto ou roubo. Desse total, cerca de 12 mil já foram devolvidos aos proprietários.

Antes da nova operação, mais de 19,8 mil notificações já haviam sido enviadas a dispositivos com restrições criminais. O salto para 54 mil alertas mostra uma ampliação expressiva da capacidade de identificação e processamento de informações.

Uma das ações recentes de restituição ocorreu em setembro, quando 268 celulares foram entregues aos donos na sede da Secretaria da Segurança Pública. Entre os beneficiados estava a doméstica Josefa Cipriano, que destacou a importância do registro da ocorrência. “Não tinha condições de comprar outro tão rápido. Não esperava que fosse possível recuperar.”

O caso reforça que o boletim de ocorrência é uma etapa fundamental para alimentar as bases utilizadas no rastreamento. Quanto mais completos forem os dados do aparelho, maior a possibilidade de cruzamento posterior.

Tecnologia busca atingir mercado de receptação

O programa também representa uma mudança na lógica de combate ao roubo de celulares. A estratégia não se concentra apenas no autor do crime, mas tenta atingir a cadeia de revenda e reutilização dos aparelhos.

Celulares roubados podem circular por diferentes etapas, envolvendo receptação, troca de chips, desbloqueio, revenda e reaproveitamento de peças. O uso de dados das operadoras permite identificar quando parte desses dispositivos volta a funcionar em redes móveis.

A expectativa é que, ao aumentar o risco de identificação, o mercado paralelo perca atratividade econômica. A medida também permite localizar aparelhos em regiões diferentes daquela onde o crime ocorreu.

Capital concentra mais de 40% das notificações

A cidade de São Paulo receberá 21,7 mil das 54 mil notificações, pouco mais de 40% do total. A Grande São Paulo terá outras 13 mil.

A concentração reflete a dimensão da circulação de aparelhos na Região Metropolitana, mas o programa já possui alcance estadual.

Isso é importante porque um celular furtado na capital, por exemplo, pode ser revendido e reativado no interior, e vice-versa.

A integração de dados permite justamente superar essas fronteiras geográficas.

Segurança digital também exige atenção a golpes

A ampliação do programa também cria um novo desafio: evitar que criminosos usem o nome do SP Mobile para aplicar golpes.

A Secretaria da Segurança Pública alerta que as mensagens oficiais identificam claramente o programa e que qualquer dúvida pode ser confirmada diretamente em uma delegacia.

O SP Mobile não solicita pagamentos, taxas ou transferências via Pix para liberar ou devolver celulares. Também não pede senhas de aparelhos, dados bancários, acesso a redes sociais, contas do Google ou iCloud, nem códigos enviados por SMS.

Qualquer comunicação com esse tipo de solicitação deve ser considerada suspeita.

Integração entre tecnologia e segurança ganha escala

A operação com 54 mil notificações mostra como o uso de dados passou a ocupar espaço central nas políticas de segurança pública.

O programa combina:

  • registros policiais;
  • informações de operadoras;
  • sistemas de identificação;
  • cruzamento de bases de dados;
  • notificações digitais.

Esse modelo amplia a capacidade de investigação sem depender exclusivamente de abordagens presenciais ou ações pontuais.

Ao acompanhar o momento em que um aparelho volta a ser utilizado, a polícia consegue atuar sobre uma etapa do crime que antes era mais difícil de monitorar.

Com quase 40 mil aparelhos recuperados e a maior rodada de notificações já realizada, o SP Mobile se consolida como um exemplo de aplicação de tecnologia e inteligência de dados na segurança pública.

O próximo desafio será transformar esse volume de informações em mais aparelhos localizados, mais devoluções aos proprietários e maior pressão sobre o mercado de receptação.

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