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Dia do Vegano amplia debate sobre alimentação, consumo e acesso a opções vegetais em São Paulo

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O Dia do Vegano, celebrado em 1º de novembro no estado de São Paulo, amplia o debate sobre alimentação à base de vegetais, acesso a refeições saudáveis, consumo consciente e crescimento de um mercado que envolve gastronomia, indústria, comércio e inovação.

A data foi instituída pela Lei nº 17.145/2019, de autoria do então deputado estadual Wellington Moura, e integra oficialmente o calendário paulista há sete anos.

Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e divulgada em 2025, 7% dos brasileiros disseram concordar total ou parcialmente com a afirmação de que são veganos.

O veganismo vai além da alimentação. Diferentemente do vegetarianismo, que exclui carnes, mas pode admitir ovos e laticínios, o veganismo está relacionado a um estilo de vida que busca evitar, sempre que possível, produtos e práticas associados à exploração animal. Essa escolha pode alcançar alimentos, roupas, cosméticos e produtos de higiene.

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Para entidades ligadas ao setor, a expansão desse público também cria oportunidades econômicas. Laura Lim, diretora-presidente da Associação Brasileira de Veganismo (ABV), afirma que a existência de uma data oficial ajuda a aproximar consumidores e empreendedores. “Uma oportunidade para promover eventos, feiras, festivais gastronômicos e ações de divulgação, aproximando consumidores, empreendedores e empresas.”

A discussão envolve desde pequenos negócios de alimentação até indústrias que desenvolvem alternativas vegetais para produtos tradicionalmente feitos com ingredientes de origem animal.

Além do crescimento do mercado, entidades e parlamentares defendem que o tema seja associado ao acesso a alimentos saudáveis. Luiz Eduardo Amorim, especialista em Relações Governamentais da Sociedade Vegetariana Brasileira, defende maior presença de refeições à base de vegetais em políticas públicas. “Isso inclui ampliar a oferta de refeições à base de vegetais em escolas, hospitais e restaurantes populares.”

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, o assunto também aparece em propostas relacionadas à segurança alimentar. A deputada estadual Paula da Bancada Feminista (PSOL) é autora do Projeto de Lei 1.544/2023, que propõe a criação do Dia Estadual do Veganismo Popular.

Para a parlamentar, a discussão não deve ficar restrita a escolhas individuais. “Quando falamos de veganismo, temos que sair da ideia de que é uma escolha individual e entender que se trata de disponibilizar alimentos de qualidade e acessíveis para toda a população.”

A proposta associa o debate sobre alimentação vegetal à agricultura familiar, acesso a alimentos e políticas públicas de combate à insegurança alimentar.

Alimentação vegetal pode ser acessível

Um dos principais questionamentos sobre o veganismo está relacionado ao custo. Produtos industrializados desenvolvidos especialmente para consumidores veganos, como determinados queijos, bebidas vegetais e alimentos fortificados, podem apresentar preços elevados.

Mas uma alimentação baseada em vegetais não depende necessariamente desses produtos. A nutricionista Thaisa Navolar, mestre em Saúde Coletiva, defende a valorização da chamada “comida de verdade”.

Entre os alimentos citados estão arroz, feijão, lentilha, grão-de-bico, proteína texturizada de soja, legumes, saladas e frutas. Preparações caseiras, como almôndegas vegetais, lasanhas com proteína de soja e molhos à base de tofu, também aparecem como alternativas.

A lógica é utilizar ingredientes comuns e reduzir a dependência de ultraprocessados específicos para o público vegano.

Laura Lim afirma que o custo depende muito mais das escolhas feitas dentro de cada padrão alimentar. “Não considero o veganismo mais caro que uma dieta baseada em carnes de animais e derivados lácteos. É possível encontrar opções caras e baratas, sendo vegano ou não.”

Com o crescimento do interesse por produtos sem ingredientes de origem animal, a identificação desses itens também passou a ganhar importância. Entidades como a Sociedade Vegetariana Brasileira e a Associação Brasileira de Veganismo mantêm sistemas de certificação para produtos que atendem aos critérios estabelecidos pelas organizações.

Os selos ajudam consumidores a identificar alimentos, cosméticos e outros itens que não utilizam determinados componentes de origem animal ou processos incompatíveis com os critérios de certificação. Esse tipo de informação também pode se transformar em diferencial comercial para empresas interessadas em atender esse público.

Ferramentas digitais também passaram a ajudar consumidores a localizar estabelecimentos com opções vegetais. O engenheiro Paulo Rocha, que deixou de consumir carne por preocupação com o bem-estar animal, relata que encontrou facilidade para adaptar os hábitos na capital paulista. “Tem muitos lugares e opções.”

Entre as ferramentas disponíveis está o mapa Onde Tem Opção Vegana, que reúne mais de 3 mil estabelecimentos credenciados com pelo menos uma alternativa vegana no cardápio. Outra plataforma é o aplicativo HappyCow, que reúne informações sobre restaurantes, padarias, lanchonetes e outros estabelecimentos com opções veganas em cerca de 180 países, além de avaliações feitas pelos próprios usuários.

A expansão dessas ferramentas mostra como tecnologia e comportamento de consumo também começam a se conectar ao mercado de alimentação vegetal.

Sete anos depois da criação do Dia do Vegano em São Paulo, a discussão ultrapassa a escolha alimentar. O tema passou a envolver saúde, consumo, inovação, agricultura, empreendedorismo, sustentabilidade e acesso à alimentação.

Ao mesmo tempo em que produtos especializados e novos negócios ganham espaço, cresce também a defesa de uma alimentação baseada em ingredientes simples e acessíveis.

O desafio é ampliar o debate sem transformar alimentação saudável em um produto restrito a determinados grupos de renda.

Nesse cenário, o Dia do Vegano funciona não apenas como uma celebração de um estilo de vida, mas como oportunidade para discutir como escolhas alimentares, políticas públicas e novos mercados estão transformando a relação dos consumidores com aquilo que colocam no prato.

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