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Professores da UNG discutem tecnologia e os novos caminhos da educação no Minuto Micheletto

A tecnologia ampliou as possibilidades de ensino, mas também colocou as universidades diante de uma responsabilidade: preparar profissionais para um mercado em transformação sem deixar de lado a formação crítica e o cuidado com os estudantes. Esse foi um dos temas centrais da participação dos professores Marcelo Rosa e Alex Francisco, da Universidade Guarulhos (UNG), no Minuto Micheletto, em uma edição especial dedicada ao Dia do Professor.

Na conversa com o jornalista Eduardo Micheletto, Marcelo Rosa, diretor de área da instituição, e Alex Francisco, professor, escritor e coordenador dos cursos de Comunicação, discutiram ensino a distância, novas tecnologias e a relação entre universidade e sociedade. A entrevista também destacou a adaptação dos jovens ao ensino superior e a trajetória de Alex, que retornou como docente à instituição onde começou sua formação.

“Como a gente mantém esse ritmo de inovação, de empreendedorismo, sem perder o ponto de vista humanístico, crítico e responsável social? Acho que esse é um dos maiores desafios na sala de aula hoje”, afirmou Alex.

“O online já faz parte da vida do aluno”

A presença das ferramentas digitais na rotina dos estudantes foi o ponto de partida para discutir as mudanças no ensino. Para Alex Francisco, a familiaridade das novas gerações com a internet favorece a utilização desses recursos, mas exige uma reflexão sobre sua finalidade na aprendizagem. “O online já faz parte da vida do aluno”, observou. “Na sala de aula, você fala um termo, o aluno já está pesquisando no celular.”

Na avaliação do professor, o desafio vai além da adaptação às plataformas. É necessário compreender como a inteligência artificial e outras tecnologias poderão contribuir para a formação, considerando também seus limites.

Nos cursos de Comunicação, essa atualização ganhou uma dimensão particular. Segundo Alex, acompanhar as mudanças nas linguagens e nos meios de interação faz parte da própria atividade profissional. “O comunicador é o primeiro a se adaptar às novas tecnologias”, afirmou, ao destacar a necessidade de compreender novas ferramentas para estabelecer uma conexão com o público.

“Entender, absorver e utilizar da melhor forma possível”

Marcelo Rosa defendeu uma postura de abertura às transformações tecnológicas. Em sua avaliação, as instituições de ensino precisam acompanhar as mudanças da sociedade e incorporá-las à preparação dos estudantes. “Tem que entender, absorver e utilizar da melhor forma possível”, declarou.

O diretor relacionou essa atualização às demandas de Guarulhos, com destaque para áreas como negócios, logística e recursos humanos. Segundo ele, compreender a realidade econômica e social do município ajuda a orientar a formação e a aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades locais.

Alex acrescentou que a preparação profissional também deve permitir ao estudante identificar oportunidades de empreender na própria área. Esse processo, porém, precisa caminhar junto com a responsabilidade sobre os efeitos de sua atuação. “Dentro de tudo isso não pode ficar de fora, e não fica, o aspecto humano”, ressaltou.

“Tem um contrato de confiança”

A relação entre aluno e universidade também ocupou espaço na entrevista. Para Alex, a escolha de uma instituição envolve expectativas que ultrapassam a conquista do diploma. “Tem um contrato de confiança entre quem estuda na Universidade Guarulhos e a própria universidade”, afirmou.

Segundo o coordenador, esse vínculo se manifesta tanto na formação profissional quanto no retorno de ex-alunos à vida acadêmica e às atividades da instituição. Sua própria trajetória foi apresentada como exemplo dessa relação: depois de estudar na UNG e atuar no mercado, ele voltou para trabalhar na formação de novos comunicadores.

Para Alex, levar o nome de Guarulhos também representa um compromisso com o território. A universidade, em sua avaliação, deve contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico da região em que está inserida.

“A universidade é um espaço para aprender isso”

A passagem do ensino médio para o superior foi tratada como uma etapa que exige atenção. Além da mudança na rotina de estudos, o ingresso na universidade amplia a autonomia e coloca o estudante em contato com pessoas de diferentes idades, experiências e referências culturais. “Uma sala de aula de universidade é diversa”, afirmou Alex. “Exige que você tenha uma empatia e também disponibilidade para troca.”

O professor destacou que essas habilidades também são desenvolvidas durante a graduação. Por isso, o acolhimento precisa considerar as dificuldades de cada estudante e favorecer sua participação na vida universitária.

Marcelo apresentou o projeto Despertar, descrito como uma iniciativa de recepção aos ingressantes antes do início das aulas. Segundo ele, os encontros permitem conhecer os espaços da instituição e discutir as responsabilidades dessa nova etapa. “Você passa a ser um universitário, tem responsabilidades que você tem que assumir”, explicou.

“Eu quero contar histórias de pessoas”

Ao recordar sua trajetória, Alex Francisco associou a escolha pela Comunicação ao desejo de conhecer e narrar experiências humanas. “Eu escolhi Comunicação para isso, para contar histórias de pessoas”, afirmou.

O professor contou que o contato com o estúdio de televisão da universidade, ainda no início da graduação, reforçou sua decisão profissional. A experiência nos laboratórios e na produção de conteúdos universitários contribuiu, segundo ele, para transformar o interesse pela área em prática.

Na entrevista, também apresentou o livro “Páginas coloridas”, resultado de sua pesquisa de mestrado sobre editoras que publicam obras de temática LGBTQIA+. Ao abordar o trabalho, destacou a participação de professores e estudantes na produção editorial e a importância da pesquisa para compreender a diversidade no mercado do livro.

Entre as lembranças de aluno e os desafios atuais como coordenador, Alex voltou ao propósito que orientou sua formação: “O que eu mais queria fazer era: eu quero contar histórias de pessoas”.

A entrevista completa está disponível no canal Minuto Micheletto no YouTube.