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Butantan aposta em robótica para acelerar análise de vacinas de seis meses para 40 dias

SmartSampa

O Instituto Butantan está incorporando robótica e automação ao processo de análise da eficácia de vacinas, em um movimento que pode reduzir de aproximadamente seis meses para cerca de 40 dias o tempo necessário para avaliar um conjunto de 20 mil amostras.

A nova plataforma será instalada no Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) e vai automatizar integralmente o processo de microneutralização, teste utilizado para verificar a presença e a quantidade de anticorpos capazes de neutralizar uma infecção viral.

A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Loccus do Brasil, empresa especializada em equipamentos e soluções para laboratórios.

Robótica entra no centro da pesquisa de vacinas

A proposta é transformar uma rotina hoje marcada por diferentes etapas manuais em um processo integrado e automatizado.

O sistema reúne braço robótico, pipetadores, lavadora de placas, leitora de fluorescência e estufa.

Esses equipamentos trabalham de forma coordenada para realizar desde a diluição das amostras até a leitura final dos resultados.

Na prática, o braço robótico será responsável por movimentar placas, ponteiras e reagentes entre os diferentes equipamentos, reduzindo a necessidade de intervenção humana ao longo do processo.

Análise de 20 mil amostras pode cair para 40 dias

Um dos maiores ganhos esperados é a redução de tempo.

Atualmente, parte expressiva das amostras recebidas pelo CeVIVAS é encaminhada para laboratórios parceiros no exterior.

Esse processo aumenta custos e prazos.

Com a automação interna, a expectativa é que a análise de aproximadamente 20 mil amostras, que hoje pode levar cerca de seis meses, seja concluída em aproximadamente 40 dias.

Esse ganho de velocidade pode impactar diretamente o desenvolvimento e a avaliação de novas vacinas.

Automação deve ampliar precisão dos resultados

Além de acelerar o processo, a plataforma foi projetada para aumentar a precisão e a reprodutibilidade das análises.

Segundo a direção do CeVIVAS, a automação reduz a variabilidade associada a procedimentos manuais e diminui o risco de contaminação de amostras.

Outro ganho está na rastreabilidade.

Cada etapa do processo poderá ser acompanhada de forma mais padronizada, facilitando a conferência dos resultados e o controle de qualidade.

Teste mede a capacidade de proteção dos anticorpos

O ensaio de microneutralização é utilizado para avaliar a resposta imunológica de indivíduos vacinados.

O objetivo é identificar se os anticorpos presentes nas amostras conseguem neutralizar determinado vírus.

O processo envolve cultura celular, diluição seriada, aplicação de vírus e reagentes, incubação, lavagem e leitura por fluorescência.

A partir dessa leitura, é possível medir a concentração de anticorpos protetores presentes nas amostras.

Butantan já havia aperfeiçoado metodologia

Antes da implantação da nova plataforma, o próprio CeVIVAS já havia avançado na forma de realizar esses testes.

Inicialmente, os ensaios indicavam apenas se havia ou não presença de anticorpos.

Com o desenvolvimento de uma curva padrão reprodutível, passou a ser possível mensurar a quantidade de anticorpos nas amostras.

Esse avanço permitiu ampliar a escala dos ensaios e abriu caminho para a automação.

Crescimento dos ensaios clínicos aumentou demanda

A expansão da área de ensaios clínicos do Instituto Butantan também aumentou o volume de material recebido pelo CeVIVAS.

Mais pesquisas significam mais amostras para processamento.

Nesse cenário, manter grande parte das análises dependente de trabalho manual ou de laboratórios externos passou a representar um gargalo.

A automação surge justamente como resposta a essa necessidade de escala.

Plataforma poderá processar 50 placas por semana

Segundo os engenheiros responsáveis pelo sistema, a estação terá capacidade para processar cerca de 50 placas por semana.

Para operar o mesmo circuito manualmente, a estimativa é de que seria necessário um grupo de aproximadamente 20 pessoas.

A comparação mostra como a robótica pode alterar a produtividade em ambientes de pesquisa laboratorial.

Pesquisadores poderão focar em tarefas de maior valor

A automação não significa apenas ganho de produtividade.

Ela também pode mudar o perfil do trabalho realizado pelas equipes.

O CeVIVAS é formado por profissionais altamente qualificados, incluindo mestres e doutores.

Com a robotização das tarefas repetitivas, esses pesquisadores poderão dedicar mais tempo a atividades como:

  • análise de dados;
  • interpretação de resultados;
  • inovação;
  • desenvolvimento de novas metodologias;
  • planejamento de pesquisas.

A lógica é deslocar o trabalho humano das tarefas operacionais para funções mais analíticas.

Automação reduz dependência de processos externos

Outro impacto importante está na autonomia.

Ao internalizar as análises, o Instituto Butantan reduz a necessidade de enviar amostras para laboratórios no exterior.

Isso pode diminuir custos e melhorar o controle sobre os prazos.

Também facilita o acesso mais rápido aos dados gerados pelos ensaios.

Respostas mais rápidas podem acelerar decisões

A redução dos prazos pode ter efeito sobre diferentes etapas do desenvolvimento de vacinas.

Resultados obtidos mais rapidamente permitem antecipar decisões científicas.

Também podem acelerar negociações, ajustes em estudos e definição de próximas etapas de pesquisa.

Em um setor no qual tempo pode ser decisivo, essa agilidade pode ampliar a competitividade científica do instituto.

Sistema funciona de forma integrada

Um dos diferenciais da plataforma é justamente a integração.

A estufa será capaz de identificar a posição exata de cada placa e controlar os tempos de incubação.

Os pipetadores realizarão as diluições.

A lavadora removerá impurezas automaticamente.

Na etapa final, a leitora fará a análise por fluorescência.

Todo esse fluxo será coordenado sem necessidade de movimentação manual das placas.

Robótica reduz risco de erro humano

Em processos laboratoriais repetitivos, pequenas variações podem influenciar resultados.

A automação ajuda a padronizar volumes, tempos e movimentos.

Isso tende a reduzir diferenças entre testes realizados em momentos diferentes.

Também diminui a exposição das amostras a manipulações desnecessárias.

Parceria com empresa brasileira desenvolveu solução

A plataforma foi desenvolvida em parceria com a Loccus do Brasil, empresa de biotecnologia especializada em soluções para laboratório.

A parceria não é nova.

Durante a pandemia de Covid-19, o Instituto Butantan já havia trabalhado com a empresa na criação do LabMóvel.

O laboratório instalado em contêiner foi utilizado para diagnósticos de Covid-19 e sequenciamento genômico do SARS-CoV-2 em diferentes regiões de São Paulo.

Experiência da pandemia acelerou automação

A pandemia funcionou como um ponto de inflexão para o uso de automação em pesquisa e diagnóstico.

A necessidade de processar grandes volumes de amostras em pouco tempo mostrou a importância de estruturas escaláveis.

Segundo pesquisadores do CeVIVAS, essa experiência ajudou a consolidar a percepção de que a automação poderia ser levada também aos ensaios clínicos de vacinas.

Plataforma foi vistoriada em Cotia

Em agosto de 2026, integrantes do CeVIVAS visitaram a unidade da Loccus, em Cotia, para acompanhar o funcionamento da plataforma.

O encontro permitiu ajustes técnicos e alinhamento com os engenheiros responsáveis pelo projeto.

A visita marcou uma das etapas finais antes da instalação do sistema no instituto.

Laboratório será adaptado antes da instalação

Antes de receber a plataforma, o laboratório do CeVIVAS passará por obras de adequação.

A previsão é que essas adaptações sejam concluídas até o final de 2026.

Depois disso, o equipamento será instalado e submetido ao processo de certificação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Operação plena é esperada para 2027

A expectativa é que o sistema esteja funcionando com capacidade total em 2027.

Até lá, o projeto ainda precisa concluir a adequação física, a instalação e a certificação.

A entrada em operação deve marcar uma mudança importante na rotina de avaliação de vacinas do Butantan.

Robótica amplia papel da tecnologia na ciência

O projeto mostra como automação e robótica estão deixando de ser associadas apenas à indústria e entrando de forma cada vez mais intensa na pesquisa científica.

Em laboratórios, essas tecnologias podem aumentar escala, padronizar processos e reduzir tempo de análise.

Também permitem que profissionais altamente especializados concentrem esforços em atividades mais complexas.

Biotecnologia ganha nova camada de automação

A pesquisa biomédica depende cada vez mais da combinação entre ciência, engenharia e tecnologia.

Plataformas automatizadas permitem integrar diferentes etapas de um experimento em um fluxo contínuo.

Esse tipo de infraestrutura pode se tornar estratégico para instituições que desenvolvem vacinas, medicamentos e diagnósticos.

Butantan busca mais autonomia científica

A nova plataforma também representa um passo em direção à maior autonomia tecnológica.

Ao reduzir a dependência de laboratórios estrangeiros, o instituto amplia sua capacidade de controlar prazos, custos e processos.

Esse ganho pode ser importante para a competitividade da pesquisa brasileira.

Tecnologia pode encurtar caminho entre pesquisa e produto

A redução de seis meses para cerca de 40 dias é o dado que melhor traduz o impacto da automação.

Em um processo de desenvolvimento de vacinas, cada etapa de análise pode influenciar o ritmo das decisões seguintes.

Quanto mais rápido os pesquisadores obtêm resultados confiáveis, mais rapidamente podem ajustar estudos e avançar em novas fases.

Butantan amplia capacidade de inovação

A aposta em robótica mostra uma mudança de paradigma no trabalho do instituto.

A automação não substitui o conhecimento científico, mas reorganiza a forma como ele é aplicado.

Máquinas assumem tarefas repetitivas e operacionais.

Pesquisadores ganham mais tempo para interpretar dados, criar soluções e desenvolver novas tecnologias.

Se a previsão se confirmar, a plataforma permitirá que o Butantan transforme uma análise que hoje pode levar meio ano em um processo de pouco mais de um mês.

Mais do que reduzir prazos, a mudança pode ampliar a autonomia e a velocidade da pesquisa de novas vacinas no Brasil.

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