
A trajetória de Pedro Zequini começou na zona rural de Monte Castelo, no interior de São Paulo, em uma casa sem energia elétrica e sem saneamento básico. Entre o trabalho na lavoura, a convivência com os irmãos e as dificuldades financeiras, ele construiu referências que, décadas depois, passaria a relacionar à administração de empresas. Essa história foi o centro de sua participação no Minuto Micheletto, em entrevista ao jornalista Eduardo Micheletto.
Empresário, advogado, contador e economista, Zequini relembrou a mudança para a capital paulista, o primeiro emprego e os desafios para pagar a faculdade. Diretor da Top Clip, também falou sobre relacionamentos profissionais e os investimentos da empresa em tecnologia e inteligência artificial.
“Eu diria que eu era alguém improvável de superação”, afirmou, ao recordar as condições em que cresceu. Segundo ele, as limitações estavam nas circunstâncias da infância, e não na ausência de vontade de construir outro caminho.
“Eu vim desse princípio. Eu vim dessa escola”
Descendente de italianos e espanhóis, Pedro Zequini contou que cresceu em uma família numerosa, cuja subsistência dependia do trabalho no campo. Enquanto os maiores ajudavam na lavoura, os menores participavam dos cuidados com as outras crianças.
Ao recordar o pai, destacou a responsabilidade de sustentar a família com o trabalho braçal e a importância atribuída à palavra e aos compromissos assumidos.
“A palavra tinha mais valor do que um contrato assinado”, afirmou. “Eu vim desse princípio. Eu vim dessa escola.”
As lembranças também passaram pela mãe, que preparava pão para os filhos, e pelos momentos de convivência ao redor do fogão. Mesmo diante das condições precárias, Zequini descreveu a união familiar como uma referência de acolhimento.
“O recurso é importante. O dinheiro é importante. Mas, se não houver a paz dentro da família, não serve para nada”, declarou.
“Você tem que preparar a terra no tempo oportuno”
Na entrevista, o empresário relacionou a experiência na agricultura a princípios de planejamento e gestão. Segundo ele, o trabalho rural exigia observar os ciclos da natureza, organizar tarefas e respeitar os períodos adequados para cada etapa da produção.
“Você tem que preparar a terra no tempo oportuno, no tempo certo”, disse.
Zequini explicou que essas exigências faziam parte da rotina antes mesmo de conhecer os conceitos de administração. Preparar o solo, plantar e esperar pela colheita envolviam decisões cujo resultado dependia tanto do trabalho quanto de fatores externos.
“Existiam princípios de administração sem sequer que imaginávamos isso”, afirmou.
A comparação também alcançou as dificuldades enfrentadas pelas empresas. Em sua avaliação, a necessidade de reorganizar planos diante de uma perda ou de uma mudança inesperada já estava presente na vida da família.
“A fonte de renda principal desapareceu”
Um dos episódios lembrados foi a geada de 1975, que, segundo seu relato, atingiu os cafezais e comprometeu a principal fonte de renda familiar.
“O que fazer se a sua fonte de renda principal desapareceu?”, questionou.
Diante da situação, contou que o pai recorreu ao plantio de arroz. A produção ajudou a garantir alimento para a casa e permitiu vender parte da colheita.
“Aquilo que era uma situação de desespero por conta da geada resolveu-se através da cultura adicional que foi implementada, que foi o arroz”, recordou.
Para Zequini, a experiência exemplifica a capacidade de adaptação que reconhece como parte de sua formação. A busca por uma alternativa era, naquele momento, uma questão de sobrevivência.
“Minha primeira conquista em São Paulo”
A mudança para São Paulo aconteceu quando Pedro Zequini buscava continuar os estudos e encontrar oportunidades profissionais. Ele havia concluído o curso técnico em Contabilidade e não enxergava, em sua cidade, as condições necessárias para seguir os planos de formação e trabalho.
“Por mais que eu ame a minha cidade natal, Monte Castelo, eu sei que, pelos anseios de vida, eu não poderia continuar”, afirmou.
Na capital, dividiu uma pequena quitinete com irmãos. O espaço era limitado, mas representava o início de uma nova etapa.
“Eu lembro que deitei no chão da quitinete e falei: olha, minha primeira conquista em São Paulo”, contou.
O primeiro emprego foi no Banco Nacional, no centro da cidade. A renda, entretanto, não era suficiente para cobrir aluguel, alimentação e mensalidades da faculdade de Economia.
“Não porque não queríamos pagar, mas porque não tínhamos como”
A continuidade dos estudos exigiu negociações financeiras. Zequini relatou que acumulava mensalidades e precisava renegociar os valores para conseguir avançar na graduação.
“Ficávamos inadimplentes, não porque não queríamos pagar, mas porque não tínhamos como pagar”, afirmou.
Segundo ele, esse processo se repetiu ao longo do curso, até a conclusão da faculdade. Posteriormente, passou a trabalhar na Yamaha Motor do Brasil, em Guarulhos, onde encontrou melhores condições de remuneração.
Com o novo salário, contou, conseguiu organizar as despesas de moradia, alimentação e formação. O período também foi descrito como uma oportunidade de aprendizado profissional, especialmente no contato com colegas e práticas de trabalho da empresa.
Ao olhar para esse percurso, Zequini destacou que sua carreira foi construída em etapas, aproveitando oportunidades e incorporando novos conhecimentos.
“Uma área acaba complementando a outra”
A formação em Contabilidade, Economia e Direito foi apresentada pelo convidado como um conjunto de conhecimentos que se conectam na atuação empresarial.
“Uma área acaba complementando a outra”, afirmou.
Para Zequini, essa combinação ampliou sua capacidade de compreender diferentes aspectos dos negócios. O aprendizado técnico ganhou novas aplicações à medida que surgiam outras responsabilidades.
O empresário também reconheceu que o percurso não seguiu um roteiro inteiramente definido.
“Tudo o que aconteceu em nossa vida não foi absolutamente planejado”, disse.
Sua história, conforme relatou no programa, envolveu tanto persistência nos estudos quanto disposição para se adaptar às oportunidades encontradas.
“Eu quero que a pessoa se identifique com a empresa e cresça junto”
Ao falar sobre gestão de pessoas, Pedro Zequini destacou a importância de construir relacionamentos profissionais duradouros. Segundo ele, a identificação com a empresa e a possibilidade de desenvolvimento fazem parte do vínculo que procura estabelecer com as equipes.
“Eu quero relacionamento. Eu quero que a pessoa se identifique com a empresa e cresça junto com a empresa”, declarou.
A conversa trouxe ainda lembranças da passagem de Eduardo Micheletto pela Top Clip. Conforme os relatos de ambos, a parceria durou oito anos e terminou em 2012.
Durante o reencontro, apresentador e convidado recordaram projetos, colegas e contatos mantidos desde aquele período. Zequini ressaltou a contribuição dos profissionais que passaram pela organização e seguiram outros caminhos.
“Eu tenho certeza que contribuí em algum momento pela vida de profissionais que hoje já estão em outros patamares, mas que num dado momento nos ajudaram de forma extraordinária”, afirmou.
“Estamos muito próximos do lançamento de um software”
Os planos para a Top Clip também tiveram espaço na entrevista. Zequini afirmou que a empresa preparava um software desenvolvido ao longo de aproximadamente um ano e meio, com participação de seis programadores.
Segundo o empresário, o projeto envolve um investimento elevado e incorpora recursos de inteligência artificial.
“Está vindo com o que há de mais moderno de programação, inclusive a IA”, declarou.
Ao discutir o futuro do clipping, defendeu que o monitoramento de notícias ofereça informações úteis para interpretar o mercado, acompanhar concorrentes e apoiar decisões.
“Análise de mídia é fundamental para que a empresa entenda o que está acontecendo com ela e os seus concorrentes nas mídias do Brasil”, afirmou.
Na avaliação do convidado, esse trabalho também contribui para a gestão de crises e para a identificação de sinais que ajudem a antecipar cenários.
Da infância na lavoura aos investimentos em tecnologia, Pedro Zequini apresentou no Minuto Micheletto uma trajetória marcada pela continuidade dos estudos e pela adaptação às mudanças. Ao explicar sua visão de empreendedorismo, voltou às experiências que formaram sua base: o compromisso com o trabalho, a organização e a confiança construída nas relações.




