
O jornalismo regional tem uma função que vai além de informar: dar visibilidade às demandas dos bairros e acompanhar as respostas do poder público. Essa foi uma das principais avaliações do jornalista Samir Trad, diretor do jornal SP Norte, durante sua participação no Minuto Micheletto, apresentado por Eduardo Micheletto.
Na entrevista, o convidado discutiu a importância da imprensa local, os desafios financeiros dos jornais de bairro e as mudanças provocadas pelo consumo de notícias na internet. Também defendeu a checagem das informações como uma responsabilidade indispensável da profissão. “O jornal regional é importante justamente pelo fato de levar notícias e informações do bairro que você mora, da região que você trabalha”, afirmou.
À frente de um veículo que completou 25 anos, segundo relatou no programa, Samir destacou que a proximidade com moradores e comerciantes permite identificar problemas que nem sempre encontram espaço nos grandes noticiários.
“Um porta-voz da comunidade”: a importância do jornalismo regional
Uma praça degradada, uma rua com buracos ou um terreno que preocupa a vizinhança podem parecer assuntos pequenos diante do noticiário nacional. Para os moradores afetados, entretanto, representam problemas que interferem diretamente na rotina e precisam de solução.
É nesse espaço que, na avaliação de Samir Trad, o jornalismo de bairro demonstra sua relevância. O trabalho envolve ouvir a população, procurar os órgãos responsáveis e acompanhar as providências adotadas. “Ela é de fato um agente da comunidade, um porta-voz da comunidade, que tenta levar, além de notícias e informações, soluções para certas demandas”, declarou.
O diretor do SP Norte contou que os relatos recebidos pela redação frequentemente motivavam contatos com autoridades e equipes de serviços públicos. Em algumas situações, segundo ele, os responsáveis ainda desconheciam os problemas apresentados pelos leitores.
Essa atuação, afirmou, ajuda a construir confiança. O morador encontra no jornal um canal para tornar sua demanda conhecida e acompanhar os desdobramentos da cobrança.
“Essa parceria impresso e eletrônico é fundamental”: os 25 anos do SP Norte
Fundado em 2001, conforme relatou Samir, o jornal SP Norte acompanhou mudanças profundas no mercado de comunicação e nos hábitos de leitura da população.
O jornalista relembrou a época em que a publicação era distribuída nas bancas junto a exemplares de grandes jornais. Com a redução desse modelo de circulação, o veículo passou a utilizar outros pontos de entrega, como semáforos, mantendo também sua atuação no portal e nas redes sociais. “Essa parceria impresso e eletrônico, isso é fundamental”, afirmou.
Para Trad, a presença digital ampliou as possibilidades de cobertura da Zona Norte de São Paulo. Informações que poderiam perder a validade até o fechamento da edição semanal passaram a ser publicadas com maior rapidez.
Avisos de serviços, acontecimentos nos bairros e informações de interesse dos moradores ganharam espaço em uma rotina de atualização mais frequente. A adaptação tecnológica, na avaliação do convidado, passou a integrar a continuidade do trabalho da imprensa regional.
Ao mesmo tempo, a velocidade trouxe um desafio: manter o rigor da apuração diante da pressão para divulgar uma notícia primeiro.
“Ele tem que checar”: a responsabilidade diante das notícias falsas
A circulação de notícias falsas na internet foi outro ponto central da entrevista ao Minuto Micheletto. Samir relatou que a redação recebe conteúdos cuja veracidade precisa ser examinada antes de qualquer publicação. “O jornalista, quando recebe alguma informação, ele tem que checar”, declarou.
Ao recordar sua experiência como repórter, o convidado destacou o contato com moradores e comerciantes como parte do processo de apuração. Ouvir pessoas, confrontar informações e compreender o que aconteceu continuam sendo procedimentos necessários, independentemente do canal utilizado para divulgar a notícia.
Para ele, a responsabilidade também aparece na maneira de escrever. Uma informação precisa ser apresentada com clareza para que o leitor compreenda os fatos e não seja induzido a interpretações equivocadas. “Ela tem que ser objetiva e clara”, afirmou, ao tratar da linguagem jornalística.
Samir também ressaltou a importância da revisão antes da publicação. Segundo explicou, o cuidado com o texto envolve uma leitura própria e a participação de um revisor, buscando reduzir erros e melhorar a compreensão do conteúdo.
“Nós precisamos do apoio da própria comunidade”: os desafios da imprensa local
A sustentabilidade financeira dos jornais de bairro também entrou na conversa. Samir destacou a participação de lojas, restaurantes e outros estabelecimentos que anunciam para alcançar consumidores da região. “O comércio regional tem que olhar com outros olhos os jornais regionais”, defendeu.
Segundo ele, manter uma operação com jornal impresso, portal de notícias e redes sociais exige recursos e trabalho de equipe. A publicidade contribui para sustentar a produção de conteúdo e a distribuição das informações.
O diretor do SP Norte também afirmou que anúncios da Prefeitura de São Paulo passaram a reforçar o orçamento do veículo. Em sua avaliação, essa receita ajuda na manutenção da atividade, mas precisa ser acompanhada por maior participação do comércio local. “Nós precisamos do apoio da própria comunidade”, disse.
Para o convidado, fortalecer a imprensa de bairro significa preservar uma estrutura dedicada a divulgar informações locais e acompanhar demandas que afetam diretamente a população.
“Eu larguei a profissão de contador”: a trajetória de Samir Trad no jornalismo
Antes de trabalhar com comunicação, Samir Trad se formou em Ciências Contábeis e exerceu a profissão. A aproximação com uma redação aconteceu quando foi realizar uma auditoria em um jornal.
Na ocasião, um editor o convidou a escrever um artigo para explicar um assunto econômico aos leitores. O texto abriu caminho para uma coluna semanal e, posteriormente, para oportunidades em outros veículos e participações no rádio. “Quando entrou a tinta do jornal nas veias, Eduardo, eu larguei a profissão de contador e comecei a trabalhar em jornal”, recordou.
Ao abordar sua formação, Samir destacou que a mudança de carreira exigiu estudo e aperfeiçoamento. O aprendizado com profissionais experientes e a dedicação à escrita fizeram parte desse processo. “Não é o diploma que faz o profissional”, afirmou. Ao explicar sua preparação, acrescentou: “Eu fui estudar. Fui me aperfeiçoar na gramática, na concordância”.
O convidado também relembrou sua atuação como radialista, incluindo um programa do próprio SP Norte na Rádio Atual. A experiência ampliou sua presença na comunicação enquanto mantinha o trabalho no impresso.
“O jornalismo é minha vida”: experiência e aprendizado permanente
A participação no Minuto Micheletto também reuniu lembranças compartilhadas entre entrevistado e apresentador. Eduardo Micheletto contou que levava exemplares do SP Norte à faculdade de Jornalismo e para sua mãe, que acompanhava a publicação. Mais tarde, passou a integrar a equipe do veículo.
Ao recordar cerca de três décadas de atuação, Samir relacionou sua permanência na profissão à possibilidade de trabalhar com informação e manter um canal com a população. “Desde então, o jornalismo é minha vida”, declarou.
Para ele, a experiência acumulada precisa ser acompanhada por disposição para compreender novas ferramentas, mudanças de comportamento e diferentes formas de comunicação. “É claro que a gente tem que continuar aprendendo a cada dia. Porque o mundo passa por transformações. As pessoas passam por transformações”, afirmou.
Assista à entrevista completa com Samir Trad no canal Minuto Micheletto no YouTube

