
A cidade de São Paulo ultrapassou a marca de 100 mil empresas vindas de outros municípios desde 2021 e superou 1 milhão de novos negócios abertos no mesmo período.
Segundo balanço da Secretaria Municipal da Fazenda, 101.116 empresas transferiram suas sedes para a capital nos últimos cinco anos, enquanto 1.007.827 novos CNPJs foram abertos na cidade.
Os números reforçam o peso de São Paulo como principal centro econômico do país e mostram uma aceleração relevante na atração de empresas, especialmente nos setores ligados a tecnologia, serviços, varejo e economia digital.
Em agosto, dados da Prefeitura já apontavam 99.222 empresas transferidas e 988.351 novos negócios desde 2021, indicando que a marca de 100 mil foi superada nos meses seguintes.
Empresas transferidas geraram R$ 5,1 bilhões em arrecadação
Além do impacto sobre o número de estabelecimentos, a mudança de sedes também teve reflexos nas receitas municipais.
Segundo o balanço divulgado pela Prefeitura, as empresas que transferiram suas operações para São Paulo geraram mais de R$ 5,1 bilhões em arrecadação desde 2021.
Somente em 2026, esse grupo já teria contribuído com mais de R$ 1 bilhão aos cofres municipais.
O avanço é significativo quando comparado aos primeiros anos do movimento. Em 2024, a Prefeitura informava que 51.291 empresas haviam mudado suas sedes para a capital desde 2021 e que, naquele momento, essas companhias já tinham respondido por mais de R$ 1 bilhão em arrecadação de ISS.
Netflix, Amazon e Facebook estão entre as empresas que escolheram São Paulo
Entre as companhias citadas pela administração municipal como exemplos de empresas que estabeleceram sede na capital aparecem nomes de grande porte como Netflix, Amazon, Facebook, Magalu e empresas ligadas a serviços financeiros e varejo.
A chegada de empresas de tecnologia ganhou força após mudanças tributárias adotadas pelo município.
As Leis municipais nº 17.719/2021 e nº 17.875/2022 reduziram de 5% para 2% a alíquota do ISS para determinadas atividades, entre elas serviços ligados a plataformas digitais, mobilidade, audiovisual, franquias e monitoramento remoto.
A estratégia buscou aumentar a competitividade da cidade na disputa por empresas com maior facilidade de mudança de sede.
Abertura de empresas ficou mais rápida
Outro fator apontado pela Prefeitura é a redução da burocracia.
O programa Empreenda Fácil passou a concentrar em uma única plataforma digital procedimentos municipais, estaduais e federais relacionados à abertura, alteração e encerramento de empresas.
Segundo os dados apresentados pelo município, o tempo médio para abertura de um negócio, que anteriormente podia chegar a cerca de 100 dias, caiu para menos de 50 horas em atividades consideradas de baixo risco.
A digitalização de processos tornou-se uma das principais ferramentas utilizadas pelas grandes cidades para disputar novos investimentos e estimular a formalização de negócios.
Movimento não começou em 2026
Os números mostram que a tendência de crescimento vem sendo construída ao longo dos últimos anos.
No primeiro trimestre de 2025, São Paulo contabilizava 754.071 empresas abertas desde 2021 e 79.706 companhias transferidas de outras localidades.
Ao final daquele ano, balanços municipais já indicavam mais de 840 mil novos negócios e aproximadamente 86 mil empresas transferidas.
Em agosto de 2026, os totais haviam subido para quase 1 milhão de empresas abertas e mais de 99 mil transferências.
A sequência ajuda a mostrar que a marca atual não resulta de um único período, mas de uma trajetória de expansão ao longo de cinco anos.
Mercado de trabalho acompanha expansão
A atração e abertura de empresas também aparece nos indicadores de emprego apresentados pelo município.
A capital encerrou 2025 com taxa de desemprego próxima de 5%, uma das menores já registradas pela cidade.
No primeiro trimestre daquele ano, a taxa estava em 5,8%, com aproximadamente 7 milhões de pessoas ocupadas.
Em 2026, São Paulo passou a registrar quase 5 milhões de vínculos formais ativos, segundo dados divulgados pela Prefeitura.
Nos últimos 12 meses, foram aproximadamente 2,9 milhões de admissões na cidade, equivalentes a mais de 11% das contratações realizadas em todo o Brasil.
Os dados reforçam a dimensão do mercado paulistano, embora abertura de empresas e geração de empregos não devam ser interpretadas como relações automáticas de causa e efeito.
Tecnologia ganha peso no mercado paulistano
Um dos movimentos mais relevantes ocorre no setor de tecnologia.
Entre 2015 e 2025, o número de empregos formais em serviços tecnológicos cresceu 61,2%, chegando a aproximadamente 221 mil postos.
Esse volume corresponde a cerca de 4% dos vínculos formais da cidade e a quase um quinto dos empregos de tecnologia existentes no país, segundo dados apresentados pela administração municipal.
O crescimento ajuda a explicar a disputa para atrair empresas digitais por meio de incentivos fiscais e redução de burocracia.
Incentivos tributários ampliam disputa entre cidades
A transferência de sedes empresariais tem também um componente fiscal.
Empresas de serviços recolhem ISS ao município onde determinadas atividades estão estabelecidas, o que transforma a localização da sede em questão estratégica para as finanças públicas.
São Paulo vem utilizando redução de alíquotas e simplificação administrativa para tentar evitar a migração de empresas para municípios com tributação menor.
Ao mesmo tempo, a Prefeitura mantém operações para identificar empresas que efetivamente funcionam na capital, mas declaram sede em outras cidades para reduzir impostos.
Entre 2014 e 2024, ações de fiscalização relacionadas à simulação de estabelecimento permitiram recuperar aproximadamente R$ 900 milhões, segundo a Secretaria Municipal da Fazenda.
Mais empresas aumentam capacidade de arrecadação da cidade
A chegada de companhias também tem impacto direto sobre as contas municipais.
Quando empresas transferem sua sede fiscal, parte dos tributos relacionados às atividades passa a ser recolhida na própria capital.
Esse aumento de receita amplia a base tributária e, em tese, aumenta a capacidade de financiamento de políticas públicas e investimentos.
São Paulo disponibiliza relatórios semestrais de arrecadação tributária, permitindo acompanhar a evolução dessas receitas e comparar o desempenho ao longo dos anos.
São Paulo busca consolidar posição como polo de negócios
A movimentação ocorre em um momento em que a cidade também tenta ampliar sua presença internacional.
Em 2025, as exportações paulistanas alcançaram US$ 5,36 bilhões, crescimento de 37% em comparação a 2020.
A combinação entre mercado consumidor, concentração de empresas, infraestrutura, mão de obra qualificada e oferta de serviços mantém São Paulo como principal centro empresarial brasileiro.
O desafio passa a ser transformar o crescimento quantitativo em expansão sustentável de produtividade, renda e empregos qualificados.
Crescimento empresarial precisa ser acompanhado por qualidade dos empregos
Superar 1 milhão de novos negócios e atrair mais de 100 mil empresas representa um marco para a economia paulistana, mas o desempenho não deve ser analisado apenas pela quantidade de CNPJs.
Empresas abertas incluem negócios de portes e setores muito diferentes, desde microempreendedores até grandes grupos nacionais e internacionais.
Da mesma forma, crescimento empresarial não significa necessariamente aumento proporcional de produtividade ou salários.
Por isso, a evolução dos próximos anos deverá ser medida também por indicadores como investimento, geração de empregos formais, renda, inovação e capacidade das empresas de permanecerem ativas.
Ainda assim, os números mostram a escala da atividade econômica de São Paulo e reforçam a posição da cidade como um dos principais destinos de empresas e investimentos da América Latina.


