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Smart Sampa supera 3,6 mil foragidos presos e quase 7 mil flagrantes em São Paulo

SmartSampa

O Smart Sampa, sistema de videomonitoramento mantido pela Prefeitura de São Paulo, já auxiliou na prisão de 3.629 foragidos da Justiça e em 6.850 prisões em flagrante desde o início de sua operação com as atuais funcionalidades de monitoramento inteligente.

Os dados divulgados nesta terça-feira (20) mostram também que a plataforma contribuiu para localizar 285 pessoas desaparecidas e 3.914 veículos roubados ou furtados.

A rede conta atualmente com 50 mil câmeras instaladas ou integradas em diferentes regiões da capital, formando um dos maiores sistemas de videomonitoramento urbano da América Latina.

Reconhecimento facial ajuda a localizar foragidos

Uma das principais tecnologias utilizadas pelo Smart Sampa é o reconhecimento facial.

O sistema cruza imagens captadas pelas câmeras com bases utilizadas para identificar pessoas procuradas pela Justiça.

Quando há uma correspondência que gera alerta, equipes de segurança podem ser acionadas para realizar a abordagem e confirmar a identidade.

A Prefeitura também mantém um relatório de transparência específico sobre o uso do reconhecimento facial, com informações sobre abordagens, prisões, liberações e eventuais inconsistências identificadas no processo.

Sistema também lê placas de veículos

Além do reconhecimento facial, o Smart Sampa utiliza leitura automática de placas.

A ferramenta permite identificar veículos com registro de roubo, furto ou outras ocorrências e emitir alertas para as equipes em campo.

Segundo a Prefeitura, milhares de veículos já foram localizados com apoio dessa integração.

O cruzamento de informações transforma as câmeras em instrumentos que vão além da simples gravação de imagens.

50 mil câmeras ampliam cobertura na cidade

A rede chegou a 50 mil equipamentos em 2026.

Desse total, cerca de 20 mil câmeras são operadas diretamente pela Prefeitura e outras 30 mil foram integradas por meio de parceiros privados, segundo dados municipais.

Empresas, condomínios e estabelecimentos podem integrar equipamentos externos à plataforma desde que atendam aos requisitos técnicos definidos pelo programa.

Essa estratégia permitiu ampliar rapidamente a cobertura sem depender exclusivamente da instalação de câmeras públicas.

Alertas ajudam equipes a agir mais rapidamente

Os algoritmos utilizados pelo sistema conseguem gerar alertas a partir de situações previamente definidas.

Entre as possibilidades estão identificação de pessoas procuradas, placas de veículos, invasões, vandalismo e outras ocorrências.

A partir do alerta, equipes da Guarda Civil Metropolitana ou de outras forças integradas podem ser direcionadas para o local.

A Prefeitura informa que, em etapas anteriores da expansão, o tempo médio de resposta para ocorrências relacionadas à identificação de foragidos ficou abaixo de dez minutos.

Caso no Capão Redondo mostra funcionamento do sistema

Entre os exemplos divulgados está a prisão de Erick Brandão, procurado pela Justiça e condenado a 24 anos de prisão por homicídio qualificado.

Segundo a administração municipal, agentes da Guarda Civil Metropolitana realizavam patrulhamento quando receberam um alerta do Smart Sampa.

Após buscas na região, o homem foi localizado em frente a uma Assistência Médica Ambulatorial no Capão Redondo.

O caso mostra como o sistema é utilizado para conectar monitoramento digital e atuação presencial dos agentes.

Smart Sampa também localiza pessoas desaparecidas

O reconhecimento facial não é utilizado apenas na busca por pessoas com mandados de prisão.

A plataforma também auxilia na localização de desaparecidos.

Até 20 de outubro, a Prefeitura contabilizava 285 pessoas localizadas com apoio do sistema.

A integração ocorre com outras estruturas da administração pública, ampliando o uso da rede para além da repressão criminal.

Integração envolve diferentes órgãos

O Smart Sampa foi estruturado para funcionar de maneira integrada com diferentes serviços públicos.

Entre os órgãos que podem atuar em conjunto com a plataforma estão Guarda Civil Metropolitana, polícias Civil e Militar, SAMU e CET.

A ferramenta também vem sendo utilizada para fornecer imagens e informações a investigações.

Entre novembro de 2024 e abril de 2026, o programa atendeu mais de 2,1 mil ofícios e colaborou com mais de 1,1 mil investigações da Polícia Civil, segundo dados divulgados pela Prefeitura.

Tecnologia também ajudou a recapturar condenados

O sistema foi utilizado para localizar pessoas que não retornaram ao sistema prisional depois de saídas temporárias.

Entre os casos divulgados está o de um homem condenado por homicídio qualificado, localizado no Centro da capital com mais de 20 anos de pena ainda a cumprir.

Outros condenados por crimes como roubo e receptação também foram identificados pelas câmeras depois de não retornarem às unidades prisionais.

Máfia chinesa e tráfico internacional aparecem entre casos

Outras prisões de maior repercussão também foram associadas ao Smart Sampa.

Em 2025, câmeras do programa identificaram no Centro de São Paulo um homem condenado por tráfico internacional de drogas e com múltiplos mandados de prisão.

No mesmo ano, o sistema também ajudou a localizar um integrante de grupo criminoso ligado à comunidade chinesa da região da Rua 25 de Março, segundo informações divulgadas pela Prefeitura.

Uso de inteligência artificial amplia alcance do videomonitoramento

A principal transformação do modelo está na utilização de inteligência artificial para analisar as imagens.

Em sistemas tradicionais, câmeras funcionam principalmente como fonte de gravação para consulta posterior.

Com algoritmos e integração a bancos de dados, o Smart Sampa consegue emitir alertas durante a circulação de pessoas e veículos.

Isso transforma o videomonitoramento em uma ferramenta também preventiva e operacional.

Tecnologia exige transparência e proteção de dados

A expansão do reconhecimento facial também amplia a necessidade de regras claras sobre utilização das imagens e proteção de dados pessoais.

Segundo a Prefeitura, o Smart Sampa não mantém banco próprio de dados pessoais e segue protocolos relacionados à Lei Geral de Proteção de Dados.

O relatório de transparência publicado em outubro detalha situações em que pessoas foram abordadas, conduzidas e posteriormente liberadas em razão de fatores como baixa não registrada de mandado, inconsistência cadastral ou divergência no reconhecimento facial.

Esse acompanhamento é importante porque sistemas automatizados de reconhecimento precisam combinar eficiência operacional com mecanismos capazes de reduzir erros e permitir fiscalização.

Programa ganhou destaque fora do Brasil

O Smart Sampa também passou a chamar atenção da imprensa internacional.

Segundo a Prefeitura, o sistema foi tema de reportagens publicadas em 2026 por veículos como o jornal francês Le Monde e a revista britânica The Economist, que abordaram o uso de tecnologia e inteligência artificial na segurança pública de São Paulo.

A repercussão reflete a dimensão alcançada pela rede de câmeras e o debate internacional sobre o uso de reconhecimento facial em grandes cidades.

Segurança pública entra na era dos dados

Com 50 mil câmeras conectadas, milhões de imagens processadas e integração com diferentes órgãos, o Smart Sampa mostra como tecnologia e análise de dados passaram a ocupar espaço central na segurança urbana.

Os números divulgados pela Prefeitura indicam crescimento da utilização do sistema em prisões, recuperação de veículos e localização de desaparecidos.

O próximo desafio será acompanhar não apenas a quantidade de ocorrências atendidas, mas também a precisão dos alertas, os mecanismos de controle e o impacto real da tecnologia sobre os indicadores de segurança da capital.

Em uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes, a expansão do Smart Sampa coloca São Paulo no centro de um debate que tende a crescer: até onde inteligência artificial, reconhecimento facial e videomonitoramento podem transformar a segurança pública sem abrir mão de transparência, proteção de dados e controle institucional.

prosangue