A Prefeitura de São Paulo prevê um orçamento de R$ 146,52 bilhões para 2027, o maior já projetado pela cidade. O valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) encaminhado à Câmara Municipal e amplia os recursos destinados a áreas como saúde, educação, infraestrutura, mobilidade e assistência social.

Além do crescimento global do orçamento, a proposta prevê R$ 20,6 bilhões em investimentos e inversões financeiras, valor também apontado pela gestão como recorde.

O principal ponto da proposta é a ampliação da capacidade de investimento da cidade, mas a peça também chama atenção pelo aumento de recursos em áreas essenciais e pela criação de recortes orçamentários específicos para população idosa, clima, primeira infância e mulheres.

Saúde e educação concentram os maiores recursos

A saúde deverá receber R$ 27,76 bilhões em 2027, cerca de 10% a mais em relação aos R$ 25,42 bilhões previstos para 2026.

Na educação, o orçamento projetado sobe de R$ 30,55 bilhões para R$ 33,53 bilhões, crescimento de 9,73%.

Do total previsto para a educação, 69,8% correspondem a recursos próprios do município e 27,2% vêm do Fundeb.

Os valores deverão financiar manutenção da rede, desenvolvimento da educação básica e valorização dos profissionais da área.

Investimentos passam de R$ 5 bilhões para R$ 20,6 bilhões

A proposta prevê R$ 20,6 bilhões em investimentos e inversões financeiras para 2027.

Segundo a Prefeitura, o valor destinado a essa finalidade era de cerca de R$ 5 bilhões em 2021.

Para sustentar esse patamar, a cidade deverá contar com mais de R$ 8,04 bilhões em operações de crédito.

Esses recursos deverão ser utilizados para ampliar a capacidade de execução de obras e projetos estruturantes.

O prefeito Ricardo Nunes afirma que a expansão dos investimentos ocorreu sem aumento de impostos. “Saímos de R$ 5 bilhões em 2021 para R$ 20 bilhões em 2027”, afirmou.

Segundo ele, a ampliação da atividade econômica e a criação de mais de 1 milhão de novos negócios na cidade também contribuíram para aumentar a arrecadação.

Mobilidade e obras terão aumentos expressivos

Algumas áreas apresentam crescimento acima da média do orçamento geral.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras deverá passar de R$ 3,05 bilhões para R$ 4,5 bilhões, uma alta de 47,73%.

Já a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte terá orçamento previsto de R$ 13,96 bilhões, frente a R$ 11,17 bilhões no ciclo anterior.

O crescimento estimado é de 24,93%.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana também deverá receber mais recursos, passando de R$ 1,83 bilhão para R$ 2,05 bilhões, aumento de 11,85%.

Na área de urbanismo e licenciamento, a previsão sobe de R$ 2,69 bilhões para R$ 3,09 bilhões.

Subprefeituras terão R$ 2,27 bilhões

As 32 subprefeituras da capital deverão contar com R$ 2,27 bilhões em 2027.

O valor representa crescimento de aproximadamente 6,6% em relação à previsão anterior.

Esses recursos são utilizados em ações de zeladoria, manutenção urbana, pequenas obras e serviços locais.

Orçamento da Pessoa Idosa aparece como novidade

Uma das novidades do PLOA 2027 é a criação do chamado Orçamento da Pessoa Idosa.

A previsão é de R$ 6,34 bilhões destinados a ações, serviços e políticas públicas voltadas à população com 60 anos ou mais.

A proposta também apresenta outros recortes temáticos:

  • Orçamento Climático: R$ 33 bilhões;
  • Orçamento da Primeira Infância: R$ 23,7 bilhões;
  • Orçamento da Mulher: R$ 15,2 bilhões.

Esses valores não representam necessariamente verbas isoladas, mas a identificação de recursos distribuídos em diferentes programas e secretarias relacionados a cada tema.

Assistência social terá R$ 4,14 bilhões

Para assistência social e direitos da cidadania, a proposta prevê R$ 4,14 bilhões em 2027.

Desse total, mais de R$ 974 milhões deverão ser destinados ao atendimento da população em situação de rua.

A área concentra políticas de acolhimento, assistência, proteção social e atendimento a grupos em situação de vulnerabilidade.

Proposta ainda será analisada pela Câmara

O orçamento de R$ 146,52 bilhões ainda precisa passar pela análise e votação dos vereadores.

Durante a tramitação, parlamentares poderão apresentar emendas e discutir mudanças na distribuição dos recursos.

Por isso, os valores apresentados no PLOA representam a proposta inicial do Executivo e ainda podem sofrer alterações antes da aprovação definitiva.

A discussão sobre o orçamento deverá indicar quais serão as prioridades da cidade em 2027 e como o aumento da receita será convertido em serviços, obras e políticas públicas.

O que o orçamento revela sobre as prioridades de 2027

Mais do que o valor recorde, o ponto central da proposta está na forma como os recursos serão distribuídos.

Saúde e educação continuam concentrando as maiores parcelas, enquanto infraestrutura, mobilidade e segurança apresentam aumentos relevantes.

Ao mesmo tempo, a criação de recortes específicos para idosos, clima, mulheres e primeira infância aponta para uma tentativa de organizar o orçamento também por políticas transversais.

O desafio, no entanto, estará na execução.

A aprovação de um orçamento maior amplia a capacidade de investimento, mas o impacto real para a população dependerá de quanto desses recursos será efetivamente aplicado e de quais projetos sairão do papel ao longo de 2027.

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