O Estado de São Paulo lançou um manual de boas práticas de turismo inclusivo com experiências desenvolvidas em destinos turísticos, equipamentos culturais, eventos e programas municipais.
O material foi produzido no projeto Turismo Inclusivo e Competitividade no Estado de São Paulo, em parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a Secretaria de Turismo e Viagens e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.
A proposta é transformar experiências já adotadas em diferentes locais em referências que possam ser adaptadas por outros destinos e empreendimentos turísticos.
Acessibilidade vai além de rampas e adaptações físicas
O estudo trabalha com um conceito amplo de acessibilidade.
Além da estrutura arquitetônica, são considerados aspectos:
- comunicacionais;
- metodológicos;
- instrumentais;
- programáticos;
- atitudinais;
- estéticos.
A ideia é avaliar se o destino ou equipamento consegue identificar uma barreira concreta e apresentar uma solução que melhore efetivamente a experiência do visitante.
Também são considerados fatores como capacitação das equipes, qualidade das informações oferecidas e envolvimento do público atendido.
Pessoas com diferentes necessidades foram consideradas
As iniciativas analisadas contemplam públicos diversos.
Entre eles estão:
- pessoas com deficiência física;
- pessoas com deficiência visual;
- pessoas com deficiência auditiva;
- pessoas com deficiência intelectual;
- pessoas autistas;
- pessoas com 60 anos ou mais.
A seleção foi feita a partir de levantamento, entrevistas, visitas técnicas, análise documental e observação direta das práticas adotadas.
Pesquisadores, profissionais de acessibilidade, pessoas com deficiência e representantes da sociedade civil participaram do processo.
15 iniciativas foram reconhecidas como boas práticas
O estudo serviu de base para selecionar 15 experiências reconhecidas como Boas Práticas de Turismo Inclusivo 2026.
Entre elas estão:
- Festa da Uva, em Jundiaí;
- Linha Inclusiva no Turismo Industrial, em São Bernardo do Campo;
- Programa Praia Acessível, em Caraguatatuba;
- Onda BGF, em Bertioga;
- Museu do Futebol;
- Museu do Ipiranga;
- Pinacoteca;
- Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, em Tupã;
- Projeto Pé na Estrada, em São Sebastião;
- Rede dos Sonhos, em Socorro;
- Sabina, em Santo André;
- iniciativas de Santos;
- Sesc Bertioga;
- Moinho Povos Unidos, em Holambra.
Grandes eventos realizados na capital paulista também aparecem entre as experiências destacadas.
Levantamento identificou mais de 300 ações
O projeto também resultou na publicação “Turismo Inclusivo e Competitividade no Estado de São Paulo – Iniciativas que Inspiram”.
O levantamento identificou ações de acessibilidade e inclusão em 227 municípios paulistas.
Ao todo, a base reúne mais de 300 iniciativas ligadas a diferentes segmentos do turismo.
A quantidade de projetos mapeados mostra que a acessibilidade começa a ganhar espaço em destinos de perfis bastante diferentes, de praias e museus a festas tradicionais e turismo industrial.
Inclusão também pode aumentar competitividade dos destinos
A adoção de práticas acessíveis amplia o público que pode usufruir de atrações, eventos e equipamentos turísticos.
Para além da dimensão social, isso também coloca a inclusão como um fator de competitividade.
Destinos que oferecem informações acessíveis, equipes preparadas e estrutura adequada podem alcançar públicos que ainda encontram barreiras para viajar ou participar de experiências culturais e de lazer.
A lógica do manual é justamente transformar boas experiências em referências capazes de ser reproduzidas e adaptadas.
Turismo acessível como política de desenvolvimento
O levantamento mostra que a acessibilidade pode ser incorporada ao turismo de maneira transversal.
Ela envolve infraestrutura, atendimento, comunicação, planejamento e formação profissional.
Ao documentar experiências e indicar soluções já aplicadas, o manual contribui para aproximar inclusão e desenvolvimento turístico.
Para os destinos, o desafio passa a ser não apenas receber visitantes, mas garantir que pessoas com diferentes necessidades possam participar das experiências com autonomia, segurança e qualidade.



