
O Jockey Club de São Paulo anunciou nesta terça-feira (13), durante reunião da CPI que investiga a situação financeira e imobiliária da instituição, uma parceria com o BTG Pactual para viabilizar o pagamento de débitos com a cidade e a reorganização financeira do clube.
Segundo a apresentação feita aos vereadores, o Jockey possui um passivo mapeado de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, considerando dívidas tributárias, trabalhistas e cíveis. O valor nominal discutido com a Prefeitura gira em torno de R$ 800 milhões, mas, após a aplicação das regras do Programa de Transação Tributária, o montante enquadrado para pagamento seria de aproximadamente R$ 228 milhões.
O plano ainda depende da aprovação interna dos membros do Jockey Club.
Banco deverá financiar reorganização
De acordo com Renato Junqueira Filho, conselheiro da instituição, o modelo prevê financiamento da operação e pagamento das obrigações a partir das receitas geradas pelo próprio projeto.
A proposta inclui a criação de um novo clube com capacidade para aproximadamente 14 mil frequentadores.
A estratégia prevê a comercialização de títulos do novo empreendimento, com os recursos destinados ao cumprimento das obrigações financeiras assumidas junto ao banco.
Segundo a entidade, o objetivo é recuperar a sustentabilidade financeira e institucional do Jockey.
Parque público terá 85 mil metros quadrados
Além da reorganização financeira, o projeto prevê a implantação de um parque de uso público com cerca de 85 mil metros quadrados.
A proposta apresentada à CPI reúne atividades de:
- lazer;
- gastronomia;
- comércio;
- entretenimento;
- atividades ligadas ao turfe.
A intenção da nova gestão é transformar o complexo em um centro de lazer e entretenimento com alcance regional e manter as atividades tradicionais do clube.
Dívida com município está no centro da CPI
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Jockey Club foi criada para investigar a regularidade fiscal e imobiliária das atividades da instituição.
Entre os pontos analisados estão:
- débitos tributários;
- alienação de potencial construtivo;
- situação imobiliária;
- eventuais omissões do poder público.
O presidente do Jockey, Vicente Renato Paolillo, afirmou durante a reunião que a instituição busca resolver as pendências com o município, mas contestou parte dos valores cobrados.
Segundo ele, parte do passivo permanece em discussão judicial.
Jockey aponta redução da dívida por programa tributário
Paolillo reconheceu que o valor final previsto para pagamento fica significativamente abaixo do montante nominal da dívida.
Segundo o dirigente, a redução decorre das condições estabelecidas em legislação municipal e no programa de transação tributária.
“Devemos cerca de R$ 800 milhões e vamos pagar pouco mais de R$ 200 milhões”, afirmou durante a reunião.
A instituição sustenta que o benefício não foi criado exclusivamente para o Jockey, mas decorre de regras gerais aprovadas pelo município.
Vereadores divergem sobre proposta
O presidente da CPI, Gilberto Nascimento (PL), avaliou positivamente a apresentação e afirmou que o plano cria uma alternativa para viabilizar a quitação das pendências.
Segundo ele, o modelo ainda depende da aprovação dos membros da própria entidade.
Já Roberto Tripoli (PV) questionou o tamanho da redução da dívida e defendeu acompanhamento rigoroso do processo pela Câmara.
O parlamentar também demonstrou dúvidas sobre a capacidade do turfe de gerar receitas suficientes para sustentar o novo modelo.
As posições distintas mostram que, apesar do anúncio, o acordo ainda deverá ser acompanhado e debatido pelo Legislativo.
Nova gestão tenta reestruturar instituição
A atual gestão assumiu o comando do Jockey em 2026 e apresentou à CPI uma estratégia voltada à recuperação financeira do clube.
O desafio envolve equilibrar um passivo bilionário com a manutenção das atividades e a criação de novas fontes de receita.
A entrada de uma instituição financeira no projeto representa uma tentativa de transformar ativos, atividades e novos empreendimentos em mecanismos capazes de financiar essa reorganização.
Plano ainda depende de etapas internas e jurídicas
Apesar do anúncio, a proposta ainda não significa que a dívida esteja definitivamente quitada.
O plano depende de aprovação interna, formalização dos contratos e cumprimento das condições previstas no programa tributário.
Também permanece em análise parte dos valores contestados judicialmente pelo Jockey.
A CPI deverá continuar acompanhando o processo.
Futuro do Jockey envolve dívida, patrimônio e novo modelo de negócio
O caso extrapola uma negociação tributária.
A discussão envolve o destino de uma área histórica da capital, a continuidade do turfe, a exploração econômica do complexo e a relação da instituição com o poder público.
Se o plano avançar, o Jockey poderá passar por uma transformação significativa, combinando atividades esportivas, lazer, gastronomia, comércio e áreas abertas ao público.
O principal ponto de acompanhamento será saber se o modelo apresentado conseguirá efetivamente transformar novos negócios em recursos suficientes para quitar os passivos e garantir sustentabilidade financeira à instituição.


