
O estado de São Paulo conta com cerca de 200 mil professores responsáveis pelo ensino de aproximadamente 3 milhões de alunos matriculados na rede estadual. Em Guarulhos, o contingente chega a aproximadamente 14,4 mil docentes na educação básica, considerando as redes estadual, municipal, federal e privada.
Os dados ajudam a dimensionar o peso da educação no maior município da Região Metropolitana depois da capital e também mostram desafios relacionados à formação, remuneração, jornada e valorização profissional.
Na rede estadual, a maior concentração de professores está na faixa dos 40 aos 49 anos. A remuneração média dos profissionais que atuam em sala de aula é de R$ 6.033,97 mensais.
Guarulhos amplia número de professores em uma década
Dados do Censo Escolar apontam que Guarulhos passou de 13.737 professores em 2015 para 14.449 em 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 5,2% em dez anos.
No mesmo período, o município manteve uma das maiores estruturas educacionais do estado, com mais de 300 mil matrículas na educação básica entre as redes pública e privada.
Somente na rede estadual, foram contabilizadas aproximadamente 126,6 mil matrículas.
O volume reforça a importância da educação para o planejamento de políticas públicas locais, especialmente em áreas como contratação de profissionais, infraestrutura escolar, formação e distribuição das jornadas.
Formação melhora, mas pós-graduação recua em Guarulhos
A qualificação dos professores apresentou avanço em alguns indicadores.
A proporção de docentes com licenciatura passou de 79% em 2015 para 87,9% em 2025.
Por outro lado, a participação de professores com pós-graduação recuou de 43,9% para 37,4% no mesmo período.
Em 2025, Guarulhos também registrava 1.380 docentes com escolaridade de ensino médio ou inferior.
Os dados mostram que o município avançou na formação inicial dos profissionais, mas ainda enfrenta desafios para ampliar a qualificação acadêmica e a formação continuada.
Rede estadual tem maioria de professores entre 40 e 59 anos
No estado, a maior parcela dos docentes está entre 40 e 49 anos.
Outros 61 mil professores têm entre 50 e 59 anos, enquanto 35,5 mil estão na faixa dos 30 aos 39 anos.
A rede também conta com 20,9 mil docentes entre 60 e 69 anos, 13,1 mil entre 20 e 29 anos e 1.575 profissionais com mais de 70 anos.
O perfil etário indica que uma parcela relevante do quadro está próxima das faixas mais avançadas da carreira, o que aumenta a importância do planejamento de concursos e reposição de profissionais nos próximos anos.
Matemática concentra maior número de docentes
Entre as disciplinas, matemática reúne o maior número de professores na rede estadual, com 26,2 mil profissionais.
Na sequência aparecem língua portuguesa, com 25,6 mil docentes; história, com 16,5 mil; geografia, com 15,2 mil; e ciências, com 12,9 mil.
A distribuição mostra o peso das áreas básicas na organização do quadro docente e no atendimento da rede.
Salário médio supera R$ 6 mil na rede estadual
Segundo os dados divulgados pela Secretaria da Educação, a remuneração média dos professores que atuam em sala de aula é de R$ 6.033,97 mensais.
O maior salário registrado entre esses profissionais chega a R$ 20,4 mil.
Na formação acadêmica, 64,6 mil docentes têm especialização, 6.859 concluíram mestrado e 1.644 possuem doutorado, considerando os profissionais que atualizaram essas informações no sistema estadual.
Formação continuada alcança mais de 125 mil profissionais
A rede estadual também ampliou programas de formação.
No primeiro semestre de 2026, mais de 125 mil profissionais participaram das atividades do Multiplica SP, programa voltado à formação continuada entre pares.
A proposta permite que professores com mais experiência compartilhem práticas pedagógicas e metodologias com outros profissionais que atuam na mesma área.
A formação continuada aparece como um dos principais instrumentos para responder às mudanças no perfil dos alunos, às novas tecnologias educacionais e às demandas de aprendizagem.
Bônus e concursos entram na política de valorização
Em 2026, a Secretaria da Educação destinou R$ 1 bilhão ao pagamento de bônus para mais de 188 mil docentes, com base nos resultados do Saresp.
A rede também retomou a prova de promoção no Quadro do Magistério, mecanismo que garante aumento de 10,5% no salário-base para os profissionais aprovados.
Além disso, o Estado realizou concurso para 15 mil vagas e já autorizou uma nova seleção para 5 mil professores.
As medidas têm impacto direto sobre a renovação do quadro e sobre a capacidade da rede de manter profissionais em sala de aula.
Condições de trabalho melhoram em parte dos indicadores
Em Guarulhos, a proporção de professores enquadrados na faixa mais elevada de esforço docente caiu de 2,1% em 2015 para 1% em 2025.
Essa faixa considera profissionais que atendem mais de 400 alunos, atuam em três turnos e trabalham em múltiplas escolas.
A redução indica melhora nesse indicador específico, mas não elimina o desafio de acompanhar jornadas, número de alunos por professor e distribuição das cargas de trabalho.
Educação exige planejamento de longo prazo
O crescimento do número de professores em Guarulhos e o volume de profissionais na rede estadual mostram a dimensão do sistema educacional paulista.
Ao mesmo tempo, os dados revelam que o desafio não está apenas em ampliar o quadro.
Formação, remuneração, carreira, condições de trabalho e renovação dos profissionais são fatores diretamente ligados à capacidade das redes de melhorar a aprendizagem.
Em Guarulhos, onde mais de 14 mil docentes atuam na educação básica, o planejamento dessas políticas ganha peso ainda maior diante do tamanho da rede e da demanda por serviços públicos.
A valorização dos professores, portanto, deixa de ser apenas uma pauta corporativa e passa a ser uma questão de gestão pública, qualidade do ensino e desenvolvimento regional.


