
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor resultado já registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No segundo trimestre deste ano, a taxa havia sido de 5,4%. No mesmo período de 2025, estava em 5,6%.
Com a nova queda, o país passou a ter 5,6 milhões de pessoas desocupadas, número 4% menor que no trimestre anterior e 6,9% abaixo do registrado um ano antes.
Em números absolutos, são 417 mil desempregados a menos em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Brasil chega a 103,6 milhões de ocupados
A população ocupada também atingiu um novo recorde.
São 103,6 milhões de pessoas trabalhando, maior número da série histórica iniciada em 2012.
Na comparação com o segundo trimestre, houve crescimento de 0,6%, o equivalente a 581 mil pessoas a mais ocupadas.
Em um ano, a alta foi de 1,2%, representando aproximadamente 1,2 milhão de novos ocupados.
O avanço reforça a melhora quantitativa do mercado de trabalho, embora alguns indicadores ainda mostrem desafios relacionados à qualidade e à estabilidade das ocupações.
Construção adiciona 210 mil trabalhadores
Entre os setores que mais contribuíram para o resultado está a construção.
A atividade registrou crescimento de 2,8% na ocupação durante o trimestre, com aproximadamente 210 mil pessoas a mais trabalhando.
Segundo William Kratochwill, analista da PNAD Contínua, o setor teve destaque entre as atividades que apresentaram expansão. “Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas.”
O dado é relevante porque a construção possui forte capacidade de geração de empregos e movimenta uma extensa cadeia de fornecedores e serviços.
Construção ajuda a movimentar outros setores
O avanço do emprego na construção costuma gerar efeitos para além dos canteiros de obras.
A atividade demanda:
- materiais de construção;
- transporte;
- serviços técnicos;
- engenharia;
- arquitetura;
- comércio;
- máquinas e equipamentos.
Por isso, a expansão do setor pode produzir efeitos indiretos sobre outras áreas da economia.
Número de empregadores chega a recorde de 4,5 milhões
Outro indicador que chama atenção é o crescimento do número de empregadores.
O contingente chegou a 4,5 milhões de pessoas, maior nível da série histórica.
Na comparação trimestral, o crescimento foi de 4,3%, com 184 mil empregadores a mais.
Em relação ao mesmo período de 2025, o avanço foi de 6,4%, representando 272 mil novos empregadores.
Para o IBGE, esse movimento pode refletir a evolução de negócios que começaram como trabalho por conta própria e passaram a contratar funcionários.
Empreendedorismo começa a gerar novas vagas
Kratochwill destaca justamente esse papel. “Empregadores são multiplicadores de trabalho, visto que o fruto do seu empreendimento gera novas oportunidades.”
Segundo o analista, parte desses empregadores pode ter iniciado sua trajetória profissional como trabalhador por conta própria e posteriormente ampliado a atividade.
Esse movimento é importante porque transforma empreendedorismo individual em geração de empregos.
Empregados com carteira chegam a 39,4 milhões
O número de empregados do setor privado com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, chegou a 39,4 milhões.
O contingente ficou estável tanto na comparação trimestral quanto anual.
Também permaneceram relativamente estáveis:
- trabalhadores sem carteira no setor privado: 13,7 milhões;
- trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões;
- trabalhadores domésticos: 5,4 milhões.
O resultado mostra que a queda do desemprego não ocorreu acompanhada por forte crescimento em todos os tipos de vínculo.
Mercado pode ter aguardado resultado eleitoral
O IBGE avalia que essa estabilidade em algumas categorias pode estar relacionada ao ambiente de expectativa existente durante o período eleitoral.
Segundo Kratochwill: “Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações.”
Os dados dos próximos meses deverão ajudar a indicar se empresas retomarão contratações com maior intensidade após a eleição.
Setor público também atinge recorde
A quantidade de empregados no setor público chegou a 13,2 milhões, outro recorde da série.
O número permaneceu estável no trimestre, mas cresceu 2,5% em um ano.
Isso representa aproximadamente 317 mil trabalhadores adicionais.
Parte desse avanço veio da educação.
Educação adiciona cerca de 45 mil trabalhadores
O aumento do emprego público com carteira foi influenciado pela contratação de profissionais da educação.
Segundo o IBGE, aproximadamente 45 mil novos trabalhadores foram incorporados em ocupações ligadas a professores da educação pré-escolar, fundamental e média.
A administração pública municipal também teve participação importante.
Municípios ampliam contratações
Atividades de administração pública e regulação da política econômica e social municipal acrescentaram aproximadamente 30 mil trabalhadores.
Entre as funções citadas estão:
- escriturários;
- analistas de sistemas;
- recepcionistas;
- profissionais administrativos.
Para o IBGE, a atividade municipal apresentou a maior contribuição para o crescimento do emprego público.
Massa de renda chega ao maior valor da série
A melhora do mercado de trabalho também aparece na renda total gerada pelos trabalhadores.
A massa de rendimento real habitual chegou a R$ 387,5 bilhões, maior valor registrado pela PNAD Contínua.
Na comparação com o trimestre anterior, o aumento foi de 1,5%.
Isso representa aproximadamente R$ 5,6 bilhões adicionais circulando na economia.
Em um ano, o crescimento foi de 4,7%, ou cerca de R$ 17,5 bilhões.
Rendimento médio chega a R$ 3.790
O rendimento real habitual médio dos trabalhadores ficou em R$ 3.790.
O valor permaneceu estável na comparação trimestral.
Em relação ao ano anterior, porém, houve aumento real de 3,6%, correspondente a aproximadamente R$ 131 a mais.
O avanço da renda, combinado ao aumento da ocupação, ajuda a explicar o recorde da massa salarial.
Mais renda pode estimular consumo
Quando mais pessoas estão empregadas e o rendimento real aumenta, existe potencial de fortalecimento do consumo.
Isso pode impactar setores como:
- varejo;
- serviços;
- alimentação;
- lazer;
- habitação.
A massa salarial é um indicador importante justamente porque mostra quanto de renda está disponível no conjunto da economia.
Desemprego baixo não elimina fragilidades
Apesar dos resultados positivos, alguns indicadores mostram que o mercado de trabalho ainda enfrenta desafios.
A taxa composta de subutilização ficou em 13%.
O indicador inclui não apenas os desempregados, mas também pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estão procurando ativamente.
A taxa ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior.
País ainda tem 14,8 milhões de subutilizados
A população subutilizada chegou a 14,8 milhões de pessoas.
O número ficou estável no trimestre.
Em um ano, porém, caiu 6,1%, o equivalente a 957 mil pessoas a menos.
A redução anual reforça a melhora do mercado, embora o contingente continue expressivo.
Subocupação aumenta no trimestre
Outro indicador merece atenção.
A população subocupada por insuficiência de horas chegou a 4,3 milhões de pessoas.
O número aumentou 5,2% no trimestre, com aproximadamente 214 mil pessoas adicionais nessa condição.
São trabalhadores que possuem emprego, mas gostariam e poderiam trabalhar mais horas.
Na comparação anual, entretanto, houve queda de 5,4%.
Desalento aumenta no trimestre
O número de pessoas que desistiram de procurar emprego também apresentou alta na comparação trimestral.
O país possui aproximadamente 2,5 milhões de desalentados.
Houve aumento de 7,5% em relação ao trimestre anterior, com mais 171 mil pessoas nessa situação.
Na comparação anual, o movimento é oposto.
O desalento caiu 6,8%, representando 178 mil pessoas a menos.
Trabalhadores com mais de 40 anos enfrentam maior dificuldade
Segundo o IBGE, o aumento recente do desalento aparece com maior intensidade entre pessoas com 40 anos ou mais.
Kratochwill explicou: “A pesquisa aponta a dificuldade de as pessoas encontrarem trabalho que entendam ser adequado a ela, e isso se deu principalmente entre aqueles com 40 anos ou mais.”
O dado mostra que a melhora geral do emprego não ocorre de forma uniforme entre todos os grupos.
Quantidade e qualidade precisam ser analisadas juntas
A taxa de desemprego é um dos principais indicadores do mercado de trabalho, mas não deve ser observada isoladamente.
Uma análise mais ampla precisa considerar:
- renda;
- formalização;
- jornada;
- desalento;
- subocupação;
- produtividade.
Um mercado pode ter desemprego baixo e, ao mesmo tempo, manter trabalhadores em ocupações insuficientes ou precárias.
Mais empregadores é sinal importante para a economia
Entre todos os dados divulgados, o recorde de 4,5 milhões de empregadores merece atenção especial.
Ele sugere que parte do mercado está conseguindo ampliar atividades empresariais.
Quando um negócio passa do trabalho individual para a contratação de funcionários, ocorre uma mudança de escala.
Esse processo pode contribuir para geração de novas oportunidades.
Empreendedorismo e emprego se conectam
O crescimento do número de empregadores também ajuda a mostrar que empreendedorismo e mercado de trabalho não são agendas separadas.
Pequenos negócios podem se transformar em geradores de emprego.
Ao mesmo tempo, essas empresas dependem de condições como:
- acesso a crédito;
- demanda;
- juros;
- estabilidade econômica;
- capacitação.
O ambiente econômico dos próximos meses será importante para saber se o movimento continuará.
Juros continuam como obstáculo
Mesmo com desemprego baixo, empresas enfrentam um cenário de juros elevados.
Isso pode limitar investimentos e expansão.
Para pequenos negócios, crédito mais caro dificulta:
- compra de equipamentos;
- aumento de estoque;
- abertura de unidades;
- contratação de trabalhadores.
Por isso, a continuidade do crescimento do emprego dependerá também das condições macroeconômicas.
Mercado de trabalho entra em nova fase
A queda da taxa de desemprego para 5,2% coloca o Brasil em um cenário muito diferente daquele observado em períodos recentes de crise.
O desafio passa gradualmente da recuperação do número de postos de trabalho para a melhora da qualidade dessas vagas.
Isso significa avançar em:
- salários;
- formalização;
- produtividade;
- estabilidade;
- qualificação.
Próxima divulgação será em novembro
O IBGE divulgará os dados referentes ao trimestre encerrado em outubro no dia 27 de novembro.
A próxima pesquisa será especialmente importante porque poderá mostrar os primeiros movimentos do mercado de trabalho após o encerramento do período eleitoral.
Brasil encerra terceiro trimestre com recordes
Os principais números do mercado de trabalho mostram:
Taxa de desemprego: 5,2%
Desocupados: 5,6 milhões
Ocupados: 103,6 milhões
Empregadores: 4,5 milhões
Empregados públicos: 13,2 milhões
Empregados privados com carteira: 39,4 milhões
Rendimento médio: R$ 3.790
Massa de renda: R$ 387,5 bilhões
Os dados mostram um mercado de trabalho quantitativamente mais forte.
Mas também revelam desafios.
O crescimento do desalento no trimestre e o aumento dos trabalhadores que desejariam trabalhar mais horas mostram que ainda há espaço para melhorar a qualidade da ocupação.
A taxa de desemprego em 5,2%, a menor para um terceiro trimestre em 14 anos, representa um marco.
O próximo passo será transformar esse nível elevado de ocupação em empregos mais produtivos, renda maior e oportunidades sustentáveis de crescimento para trabalhadores e empresas.




