O número de idosos que praticam atividades físicas no estado de São Paulo cresce de forma consistente e já supera a média nacional. Dados de 2025 mostram que 52% das pessoas com mais de 60 anos mantêm uma rotina regular de exercícios físicos, um avanço significativo em relação a 2019, quando apenas 30% dos idosos eram fisicamente ativos. O cenário reforça a importância da atividade física para a saúde, a qualidade de vida e o envelhecimento ativo.
As informações fazem parte de um levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, que aponta uma mudança no comportamento da população paulista em relação ao autocuidado e à prevenção de doenças. No total, mais da metade da população do estado pratica algum tipo de exercício físico, percentual superior ao registrado em 2019, quando o índice era de 39%.
Na comparação com o restante do Brasil, São Paulo apresenta desempenho acima da média nacional. Em nível nacional, embora também haja crescimento no número de idosos ativos, menos da metade dessa faixa etária mantém uma rotina regular de atividades físicas. A diferença evidencia o impacto de políticas públicas, programas de incentivo ao esporte e maior oferta de espaços e atividades voltadas à população idosa no estado paulista.
Entre os idosos, os benefícios da prática regular de exercícios são amplos e reconhecidos por especialistas. A atividade física contribui para a prevenção de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, além de auxiliar no controle do peso, na saúde mental, no equilíbrio e na preservação da autonomia funcional.
Para o médico geriatra Ricardo Castilho, o crescimento do número de idosos fisicamente ativos é um fator determinante para a saúde pública. “A prática regular de atividades físicas é essencial para o envelhecimento saudável. Ela reduz o risco de quedas, melhora a força muscular, ajuda no controle de doenças crônicas e garante mais independência e qualidade de vida ao idoso”, afirma.
Segundo o professor de educação física Marcos Almeida, que atua com turmas da terceira idade, a regularidade é mais importante do que a intensidade. “Atividades simples, como caminhada, alongamento e exercícios de força adaptados, já trazem ganhos significativos. Além da melhora física, há impacto positivo no convívio social e no bem-estar emocional”, explica.
A pesquisa foi realizada em setembro de 2025 por meio de entrevistas remotas com moradores de todas as regiões do estado e comparada a levantamentos feitos em 2019, 2023 e 2024. Os dados mostram que a adesão à prática de atividades físicas é maior entre homens e cresce conforme aumentam a escolaridade e a renda familiar.
Entre os praticantes, oito em cada dez afirmam se exercitar duas ou mais vezes por semana, enquanto três em cada dez dedicam mais de uma hora por dia às atividades. Esses indicadores mostram que a prática de exercícios físicos deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina de uma parcela significativa da população.
Em contrapartida, o levantamento chama atenção para a redução da prática de atividades físicas entre jovens de até 29 anos. Apenas no último ano, houve queda de oito pontos percentuais nesse grupo, de 61% para 53%. De acordo com o Seade, o recuo pode estar relacionado à diminuição de hábitos saudáveis estimulados no período pós-pandemia e à retomada das atividades presenciais de estudo e trabalho.
O avanço observado entre os idosos em São Paulo reforça a importância de investir em ações de promoção da saúde, do esporte e da atividade física ao longo de toda a vida. Além de melhorar a qualidade de vida, o estímulo ao exercício regular contribui para a redução de custos com saúde pública e para a construção de uma população mais ativa, saudável e longeva.



