Com as medidas de distanciamento social adotadas em alguns estados durante a pandemia de coronavírus, ONGs e protetores dos animais afirmam que a procura por adoção de cães e gatos teve um aumento de até 50% no período de quarentena.
Muitos dos que cuidam de animais em abrigos temporários enxergam um cenário positivo, mas também há quem faça ressalvas sobre o aumento repentino. “O número de adoções nesse período realmente teve um aumento significativo, o que de certa forma poderia ser algo muito positivo. No entanto, para nós, protetores, acaba sendo um motivo a mais de preocupação. Não precisou a pandemia passar, nem o isolamento acabar e começamos a ver novamente uma subida vertiginosa no número de abandonos, agora com as justificativas de que as pessoas perderam seus empregos e não poderiam manter os animais, ou precisavam mudar para casas menores onde “não caberiam” seus pets ou porque os proprietários não autorizam animais nos imóveis (justificativas essas, que não são exclusivas da Pandemia, ocorrem desde sempre). Os abandonos costumam ser acompanhados de frases como: “ ahhh… mas é só um cachorro!” ou “É só um gato!”, “ahhh… o bicho sabe se virar”, pontua Maria Aparecida Ciuffo, proprietária do e gatil Beco do Frajola, na Zona Norte.
Um levantamento realizado pelo Instituto Pet Brasil aponta que a população de cães e gatos alojados em organizações não governamental (ONGs) e instituições é de cerca de 172 mil. 96% desses animais são cães e os outros 4% são gatos. Geralmente estes locais conseguem alojar de 50 até 500 animais.

Fora desse quadro, existem quase 3,9 milhões de animais em condições de vulnerabilidade, aqueles que vivem sob cuidados de famílias abaixo da linha de pobreza ou que vivem nas ruas. O Sudeste é a região com a maior parte dos animais nessa situação, com mais de 78 mil.
Para a protetora de animais, Denise Consalter Grangeia, “A decisão de adotar deve ser consciente, após pesar todas as possibilidades, todas as condições. Animais demandam tempo, cuidados, atenção, alimento e água frescos, atividade física, local higienizado, paciência, amor, carinho. Não são coisas, não são objetos que podem ser descartados, ou reciclados quando não nos interessa mais. O mínimo que podemos oferecer a eles é o nosso comprometimento de que faremos o que estiver ao nosso alcance para cuidar bem deles até o último dia de suas vidinhas. Mesmo quando as coisas ficam difíceis, famílias não abandonam uns aos outros e nossos bichinhos, são sim, parte fundamental da nossa família”.
Juliana Lucio Firmino, da ONG A.T.V.A – Adote Tiquin Vida Animal, de Guaianases enfatiza que os animais de estimação só nos dão amor e em troca nós precisamos cuidar deles oferecendo local limpo, arejado, protegido do sol e da chuva, alimentação adequada e cuidados veterinários. O que recebemos em troca dos bichos de estimação não tem preço. Animal não é lixo! Não se joga fora nem se abandona à própria sorte”, finaliza.
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