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Senado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penal

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O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (3), em dois turnos, a PEC da Segurança Pública, proposta que reorganiza a atuação das forças de segurança e amplia a integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado.

O texto recebeu apoio unânime entre os senadores votantes.

No primeiro turno, foram 73 votos favoráveis e nenhum contrário. No segundo, o placar foi de 75 a zero.

Como o conteúdo aprovado pelo Senado manteve o mesmo teor já votado pela Câmara dos Deputados, a proposta seguirá agora para promulgação pelo Congresso Nacional.

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Redução da maioridade penal ficou fora da PEC

Apesar de ter dominado parte importante do debate, a redução da maioridade penal não foi incorporada ao texto final.

Duas emendas apresentadas em Plenário tratavam do assunto.

Uma previa a redução da responsabilização penal para 16 anos como regra geral e 14 anos em crimes considerados mais graves.

A outra mantinha a regra geral de 18 anos, mas reduzia a maioridade para 16 anos nos casos de crimes hediondos.

O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), decidiu não incorporar nenhuma delas à PEC.

Tema terá tramitação própria

Carvalho defendeu que as emendas fossem transformadas em propostas autônomas e analisadas separadamente.

O requerimento para desmembrar o tema foi aprovado por um placar apertado de 38 votos a 36.

Segundo o relator, a maioridade penal é um assunto relevante, mas não fazia parte do objetivo central da PEC da Segurança Pública. “As matérias tratadas nas emendas são relevantes e merecem ser debatidas por essa Casa. Não se confundem, contudo, com o objetivo central da PEC 18/2025, voltado ao combate ao crime organizado e à reestruturação da governança federativa da segurança pública.”

Na prática, o Senado aprovou a reforma da segurança pública sem alterar, neste momento, a idade de responsabilização penal.

Debate jurídico segue aberto

Ao justificar a separação, Rogério Carvalho destacou a divergência jurídica existente sobre o tema.

Segundo ele, uma corrente entende que a maioridade penal prevista no artigo 228 da Constituição faz parte do conjunto de direitos e garantias individuais e, portanto, não poderia ser reduzida por emenda constitucional.

Outra corrente sustenta que a regra pode ser modificada pelo Congresso.

Essa discussão deverá estar no centro da futura tramitação das propostas específicas sobre maioridade penal.

PEC endurece regras contra facções e milícias

Entre os principais pontos aprovados está o endurecimento do tratamento dispensado a chefes de facções criminosas e milícias.

A PEC prevê regimes mais rigorosos de cumprimento de pena, incluindo possibilidade de prisão em estabelecimentos de segurança máxima e restrições à progressão de regime.

Também estabelece medidas patrimoniais voltadas ao confisco de bens ligados à atividade criminosa.

Empresas também poderão ser responsabilizadas

O texto prevê ainda responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas com organizações criminosas.

A medida amplia o alcance das ações contra estruturas econômicas utilizadas para sustentar atividades ilegais.

A proposta também prevê mecanismos de proteção a denunciantes e seus familiares.

Sistema Único de Segurança Pública entra na Constituição

Outro ponto central é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública, o Susp.

A PEC altera o artigo 144 da Constituição para estabelecer que os órgãos de segurança pública deverão atuar em regime de cooperação federativa.

O texto determina atuação integrada e descentralizada das diferentes instituições responsáveis por prevenção, investigação e execução penal.

União, estados e municípios terão atuação mais integrada

A proposta amplia formalmente a cooperação entre os diferentes níveis de governo.

O objetivo é permitir maior compartilhamento de:

  • informações;
  • sistemas;
  • inteligência;
  • operações;
  • planejamento.

A lógica é reduzir a fragmentação existente entre as forças de segurança.

PEC permite criação de polícias municipais

Uma das mudanças mais relevantes é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil.

Essas forças poderão atuar em policiamento ostensivo e comunitário.

Elas deverão estar submetidas ao controle externo do Ministério Público e seguir critérios definidos em legislação específica.

A medida amplia o papel dos municípios na segurança pública.

PRF terá atribuições ampliadas

A proposta também expande as funções da Polícia Rodoviária Federal.

Além das rodovias, a corporação poderá atuar em ferrovias e hidrovias federais.

A mudança busca ampliar a presença federal em corredores logísticos utilizados pelo crime organizado.

Sistema prisional também ganha nova estrutura

A PEC prevê ainda a criação do Sistema de Políticas Penais.

A ideia é integrar de forma mais estruturada o sistema prisional às políticas de segurança pública.

A proposta também autoriza União, estados e municípios a atuar de forma conjunta em temas relacionados a:

  • sistema prisional;
  • guardas municipais;
  • forças policiais;
  • sistema socioeducativo.

Fundos de segurança ganham proteção

Outro eixo importante da PEC está no financiamento.

O texto prevê que 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional sejam repassados pela União para estados e municípios, observadas as regras previstas na proposta.

A medida busca dar maior previsibilidade financeira às políticas de segurança.

Recursos do pré-sal também serão destinados ao setor

A PEC prevê ainda a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado às receitas do pré-sal, para os fundos de segurança.

Segundo o relator, a mudança busca garantir continuidade no financiamento das políticas públicas do setor.

Relator fala em previsibilidade financeira

Rogério Carvalho defendeu que as novas regras fortalecem a estrutura de financiamento.

Na avaliação do senador, a vinculação de recursos ajuda a evitar contingenciamentos e interrupções nas ações de segurança.

O objetivo é garantir mais estabilidade orçamentária para estados e municípios.

Governo tratou PEC como prioridade

A PEC da Segurança Pública foi uma das principais propostas do governo para o setor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da emenda.

A nova estrutura seria responsável por concentrar parte das políticas federais da área.

Senado preservou texto aprovado pela Câmara

O relator rejeitou outras mudanças apresentadas em Plenário.

A estratégia foi evitar alterações que obrigassem o texto a retornar à Câmara dos Deputados.

Com a manutenção do conteúdo aprovado anteriormente pelos deputados, a PEC poderá ser promulgada diretamente.

Redução da maioridade penal continuará na agenda

Apesar de ter ficado fora da PEC, a maioridade penal não saiu da pauta do Congresso.

As propostas serão analisadas separadamente.

Isso mantém abertas discussões sobre:

  • responsabilização a partir dos 16 anos;
  • redução para 14 anos em crimes específicos;
  • aplicação apenas a crimes hediondos;
  • constitucionalidade da mudança.

O tema deverá voltar ao Plenário em uma votação própria.

PEC muda estrutura da segurança pública

A aprovação da proposta cria uma nova arquitetura institucional para a segurança pública brasileira.

Entre os principais pontos estão:

integração entre União, estados e municípios;

constitucionalização do Susp;

criação de polícias municipais;

ampliação das atribuições da PRF;

endurecimento de regras contra facções e milícias;

maior proteção dos fundos de segurança;

criação do Sistema de Políticas Penais.

Aprovação unânime mostra consenso sobre estrutura

Apesar das divergências em torno da maioridade penal, a PEC principal obteve apoio integral dos senadores presentes.

O resultado mostra que houve consenso em torno da necessidade de reorganizar a política de segurança pública e ampliar a integração entre as forças.

A maior divisão apareceu justamente no tema que acabou ficando de fora.

Maioridade penal vira disputa separada

Ao retirar a redução da maioridade penal da PEC, o Senado evitou misturar duas discussões distintas.

De um lado, a reorganização institucional da segurança pública.

Do outro, uma mudança profunda nas regras de responsabilização criminal de adolescentes.

O primeiro tema foi aprovado por unanimidade.

O segundo continuará sendo objeto de uma disputa política e jurídica própria.

Próxima etapa é a promulgação

Como Senado e Câmara aprovaram o mesmo texto, a PEC da Segurança Pública seguirá para promulgação.

A partir daí, as novas regras passam a integrar a Constituição.

A discussão sobre a maioridade penal, entretanto, continua aberta.

Ela deverá ser tratada em uma proposta autônoma, com debate específico sobre idade, tipos de crime e limites constitucionais.

A aprovação da PEC encerra uma etapa importante da política de segurança pública.

Mas deixa para o Congresso uma das discussões mais controversas do tema:

até que ponto o Brasil deve alterar as regras de responsabilização penal de adolescentes.

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