
Abel Ferreira completa nesta sexta-feira (30) seis anos à frente do Palmeiras. Anunciado em 30 de outubro de 2020, o treinador português transformou sua passagem pelo clube em uma das mais vitoriosas e longevas do futebol brasileiro recente.
Desde que chegou ao Verdão, Abel conquistou 11 títulos, alcançou mais de 400 partidas no banco, disputou quatro finais de Libertadores e se tornou o técnico mais vencedor da história palmeirense.
A permanência também chama atenção fora do clube. Atualmente, Abel é o treinador há mais tempo no comando de uma equipe da Série A do Campeonato Brasileiro, com ampla vantagem sobre os demais técnicos da elite nacional.
Desde sua estreia pelo Palmeiras, dezenas de treinadores passaram pelos clubes da primeira divisão, enquanto o português permaneceu no cargo e atravessou diferentes fases, reformulações de elenco, conquistas e períodos de pressão.
Seis anos e 11 títulos
Abel chegou ao futebol brasileiro ainda como um nome pouco conhecido por grande parte do público.
Meses depois, já havia conquistado a Libertadores de 2020 e a Copa do Brasil.
A sequência de títulos continuou nos anos seguintes.
Sob o comando do treinador, o Palmeiras conquistou:
- quatro Campeonatos Paulistas;
- duas Libertadores;
- dois Campeonatos Brasileiros;
- uma Copa do Brasil;
- uma Recopa Sul-Americana;
- uma Supercopa do Brasil.
Com o título paulista de 2026, Abel chegou à 11ª conquista e superou Oswaldo Brandão no ranking de treinadores com mais troféus na história do clube.
O português também se tornou o único treinador a reunir, no futebol brasileiro, títulos de Libertadores, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Estadual, Recopa Sul-Americana e Supercopa do Brasil.
Mais de 400 jogos pelo Palmeiras
A longevidade também aparece nos números.
Abel soma mais de 400 partidas efetivamente à beira do campo pelo Palmeiras, com mais de 240 vitórias.
A marca o coloca muito acima dos demais treinadores estrangeiros que passaram pelo clube.
Entre os estrangeiros, Ventura Cambon aparecia historicamente entre os técnicos com maior número de partidas e vitórias. Abel ultrapassou essas marcas durante sua passagem.
A diferença é que os números do português foram construídos em uma única passagem contínua.
Técnico mais longevo do futebol brasileiro atual
A permanência de seis anos é especialmente significativa em um ambiente conhecido pela alta rotatividade.
Abel é atualmente o treinador mais longevo entre os clubes da Série A.
A distância para os demais nomes é expressiva.
Em 2026, ele também se tornou o primeiro técnico em cerca de 30 anos a iniciar seis temporadas consecutivas no comando de um mesmo clube brasileiro.
O último havia sido Telê Santana, no São Paulo, nos anos 1990.
A passagem de Abel também já entrou para a lista das mais longas do futebol brasileiro em trabalhos contínuos.
Apoio da diretoria foi decisivo
A estabilidade só foi possível porque o treinador recebeu respaldo interno mesmo nos momentos de maior cobrança.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, manteve ao longo dos últimos anos uma postura clara de confiança no trabalho da comissão técnica.
Em um dos períodos de maior pressão da temporada, ela reforçou publicamente o apoio ao português e afirmou que continuava confiando de forma “incontestável” no trabalho de Abel e de sua comissão.
A relação com o diretor de futebol Anderson Barros também foi importante para a continuidade do projeto.
Abel chegou ainda durante a presidência de Maurício Galiotte e permaneceu mesmo após a mudança de comando político no clube.
Essa continuidade permitiu que o treinador atravessasse diferentes gestões sem que o trabalho fosse reiniciado.
“Não há nenhum outro lugar onde eu preferia estar”
Nesta sexta-feira, Abel utilizou as redes sociais para celebrar os seis anos de Palmeiras.
Em uma publicação com imagens de momentos marcantes da passagem, escreveu: “Não há nenhum outro lugar onde eu preferia estar.”
A frase resume o grau de identificação criado entre treinador e clube.
Em outra declaração recente, Abel utilizou uma metáfora para explicar a relação entre sua comissão e a estrutura encontrada no Palmeiras: “Encontrei um relógio preparado e eu trouxe a pilha.”
A fala também mostra que o português costuma dividir os méritos com a estrutura administrativa e esportiva construída pelo clube.
Libertadores virou marca da era Abel
A principal competição associada à passagem do português é a Libertadores.
Sob seu comando, o Palmeiras foi campeão em 2020 e 2021, vice-campeão em 2025 e voltou à decisão em 2026.
São quatro finais em seis anos.
A equipe enfrentará o Estudiantes, da Argentina, em 28 de novembro, em Montevidéu.
O local tem significado especial para os palmeirenses.
Foi no Estádio Centenário que o Palmeiras conquistou a Libertadores de 2021, ao derrotar o Flamengo por 2 a 1.
Agora, Abel busca sua terceira Libertadores como técnico do clube.
2026 ainda pode ampliar coleção
A temporada do sexto aniversário ainda está aberta.
O Palmeiras já conquistou o Campeonato Paulista e continua disputando outros títulos importantes.
Além da final da Libertadores, segue vivo na Copa do Brasil e na disputa pelo Campeonato Brasileiro.
A possibilidade de encerrar o ano com mais de um troféu mantém o sonho de uma temporada ainda mais histórica.
Clássicos também marcaram a passagem de Abel
Os confrontos contra Corinthians, São Paulo e Santos se tornaram outro capítulo importante da trajetória.
Ao longo dos seis anos, o Palmeiras construiu um retrospecto positivo nos clássicos paulistas.
No início de 2026, levantamento da era Abel apontava 71 clássicos disputados, com 36 vitórias, 20 empates e 15 derrotas.
Naquele momento, o retrospecto era:
contra o São Paulo: 31 jogos, 14 vitórias, 10 empates e 7 derrotas;
contra o Corinthians: 22 jogos, 9 vitórias, 8 empates e 5 derrotas;
contra o Santos: 18 jogos, 13 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.
Os números ajudam a explicar a força do Palmeiras em jogos de maior pressão durante a passagem do treinador.
Palmeiras termina 2026 invicto em clássicos
A temporada atual tornou esse retrospecto ainda mais expressivo.
O Palmeiras terminou 2026 sem perder nenhum clássico paulista.
Foram 12 partidas contra Corinthians, São Paulo e Santos, com:
8 vitórias
4 empates
nenhuma derrota
O time marcou 18 gols e sofreu apenas quatro.
O aproveitamento chegou a 77,8%.
A campanha também encerrou um jejum histórico.
O Palmeiras não terminava uma temporada na elite sem perder para os três principais rivais estaduais desde 1996.
São Paulo perdeu os quatro confrontos
Contra o São Paulo, o domínio foi completo em 2026.
O Palmeiras venceu os quatro clássicos disputados.
As partidas envolveram Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro.
O rival tricolor foi o único dos três que não conseguiu sequer empatar com o Verdão na temporada.
Corinthians sofreu goleada
Contra o Corinthians, o Palmeiras terminou o ano com duas vitórias e um empate.
O resultado de maior impacto aconteceu no Campeonato Brasileiro.
O Verdão goleou o rival por 4 a 1 em outubro, em uma das atuações mais marcantes da temporada.
Santos também não venceu
Diante do Santos, foram cinco partidas.
O Palmeiras venceu duas e empatou três.
Também eliminou o rival na Copa do Brasil, com vitória por 3 a 0 em um dos confrontos e empate sem gols no outro.
O último clássico de 2026 foi justamente diante do Santos, na Vila Belmiro, com empate por 0 a 0.
“Não procuro marcas, recordes, ando à procura de títulos”
Mesmo com a campanha invicta nos clássicos, Abel minimizou o peso dos recordes.
Após o empate diante do Santos, afirmou: “Não procuro marcas, recordes, ando à procura de títulos.”
A declaração é coerente com o discurso repetido ao longo dos últimos anos.
O treinador normalmente coloca conquistas acima de marcas individuais.
Torcida criou forte identificação
A relação com a torcida também se tornou parte da história.
Durante os anos de maior sucesso, arquibancadas transformaram Abel em um dos personagens mais populares do clube.
Um dos cantos mais conhecidos resume essa identificação: “Cabeça fria, coração quente, Abel Ferreira é palmeirense como a gente.”
A música virou uma espécie de símbolo do vínculo construído entre treinador e torcida.
O próprio Abel já afirmou publicamente que se considera palmeirense.
Relação também teve momentos de tensão
A identificação não eliminou as cobranças.
Em momentos de queda de rendimento, eliminações ou decisões consideradas equivocadas, parte da torcida aumentou a pressão.
Abel foi questionado por escalações, substituições, estilo de jogo e comportamento à beira do campo.
Organizadas também fizeram críticas em períodos de maior instabilidade.
O treinador chegou a reconhecer publicamente que algumas declarações foram mal colocadas e reforçou que ninguém está acima do Palmeiras.
Torcida segue sendo tratada como parte do projeto
Mesmo nos momentos de tensão, Abel continua tratando a torcida como elemento fundamental.
Em uma das falas recentes, definiu os torcedores como “a alma do clube”.
Também costuma defender que o apoio é mais importante justamente nos momentos de dificuldade.
A relação, portanto, combina idolatria e cobrança.
Comportamento segue como principal crítica
Se os resultados sustentam o trabalho, o comportamento do treinador ainda gera debate.
Abel acumula dezenas de cartões e várias expulsões desde que chegou ao Palmeiras.
Discussões com arbitragem e reações intensas à beira do campo se tornaram recorrentes.
O próprio português já fez autocrítica sobre esse aspecto.
Em uma declaração, afirmou: “Cuido muito dos outros e pouco de mim.”
A frase foi usada para explicar que, embora prepare emocionalmente os jogadores, nem sempre consegue controlar da mesma forma as próprias reações.
Base e reformulação ajudaram a manter competitividade
Outro aspecto importante do trabalho foi a capacidade de atravessar mudanças no elenco.
Ao longo de seis anos, jogadores importantes saíram, reforços chegaram e atletas das categorias de base ganharam espaço.
O Palmeiras conseguiu manter competitividade mesmo com alterações significativas.
A utilização da base também gerou retorno esportivo e financeiro.
Vários jovens se valorizaram e foram negociados com clubes internacionais.
Continuidade virou vantagem competitiva
Enquanto outros clubes trocaram repetidamente de treinador, o Palmeiras preservou conceitos, processos e estrutura.
Isso reduziu a necessidade de recomeçar trabalhos a cada temporada.
Novos jogadores passaram a ser incorporados a um modelo já existente.
Essa estabilidade ajudou o clube a manter presença constante em finais e disputas por títulos.
Quatro finais de Libertadores em seis anos
Mais do que os títulos, a frequência em decisões ajuda a dimensionar o ciclo.
Chegar a quatro finais de Libertadores em apenas seis temporadas mostra um nível de regularidade difícil de repetir no futebol sul-americano.
O Palmeiras passou a entrar em praticamente todas as edições da competição como um dos principais favoritos.
Abel já ocupa lugar definitivo na história
Depois de seis anos, a discussão deixou de ser se Abel Ferreira será lembrado como um grande treinador do Palmeiras.
Os números já garantem esse espaço.
O português é o técnico com mais títulos na história do clube, com mais de 400 partidas, duas Libertadores, quatro finais continentais e uma permanência rara no futebol brasileiro atual.
Ainda há, porém, uma pergunta sem resposta.
Até onde esse ciclo pode chegar?
Com contrato válido, respaldo da diretoria e novos títulos ainda em disputa, a era Abel Ferreira segue aberta.
Seis anos depois, o português deixou de ser apenas o treinador do Palmeiras.
Virou um dos principais símbolos da fase mais vitoriosa da história recente do clube.




