O Instagram se consolidou como uma das principais ferramentas de comunicação política nas eleições de 2026.

Dos 513 deputados federais eleitos, 454 declararam ao Tribunal Superior Eleitoral que utilizaram ao menos uma conta na plataforma durante a campanha. Entre eles, 39 possuem mais de 1 milhão de seguidores.

O levantamento da Agência Câmara mostra que a presença digital deixou de ser apenas um complemento das campanhas e passou a integrar de forma relevante a estratégia de comunicação dos candidatos.

Nikolas Ferreira lidera em seguidores

Entre os deputados eleitos que informaram suas contas ao TSE, Nikolas Ferreira (PL-MG) aparece com a maior audiência no Instagram, com 22,7 milhões de seguidores.

Na sequência estão Lucas Pavanato (PL-SP), com 5,5 milhões, e Erika Hilton (PSOL-SP), com 5,3 milhões.

Os três representam diferentes campos políticos, mas compartilham uma característica: construíram audiências digitais expressivas e utilizam as redes como canais permanentes de comunicação com seus públicos.

39 deputados ultrapassam a marca de 1 milhão

A presença de grandes perfis não se limita aos nomes que lideram o ranking.

Entre os 513 eleitos:

  • 39 possuem mais de 1 milhão de seguidores;
  • 36 têm entre 500 mil e 1 milhão;
  • 132 têm entre 100 mil e 500 mil seguidores.

Isso significa que uma parcela significativa da próxima Câmara dos Deputados chegará ao mandato já acompanhada por audiências digitais próprias.

Na prática, esses parlamentares podem se comunicar diretamente com centenas de milhares ou milhões de pessoas sem depender exclusivamente de veículos tradicionais de comunicação.

Instagram foi a rede mais usada pelos candidatos

A predominância do Instagram também aparece quando são consideradas todas as candidaturas à Câmara.

Dos 7.259 candidatos, 5.493 declararam usar a plataforma durante a campanha, o equivalente a 76% do total.

Ao todo, foram informadas ao TSE 5.973 contas no Instagram.

Nenhuma outra rede teve presença semelhante entre os candidatos.

Facebook aparece em segundo lugar

Depois do Instagram, o Facebook foi a plataforma com maior número de contas utilizadas em campanha, com 4.342 registros.

Na sequência aparecem:

  • TikTok: 1.928 contas;
  • YouTube: 1.143;
  • X: 859;
  • Threads: 608;
  • LinkedIn: 221;
  • WhatsApp: 142.

Os números mostram uma comunicação política distribuída por diferentes plataformas, mas com forte concentração em redes baseadas em imagem e vídeo.

Redes mudam relação entre políticos e eleitores

A consolidação das redes sociais altera a forma como parlamentares constroem visibilidade e se relacionam com os eleitores.

Antes, partidos, programas eleitorais, rádio, televisão e cobertura jornalística exerciam papel predominante na exposição dos candidatos.

Hoje, políticos com grandes bases digitais conseguem publicar vídeos, posicionamentos e transmissões diretamente para sua audiência.

Esse modelo também permite comunicação permanente durante todo o mandato, e não apenas nos períodos eleitorais.

Seguidores não significam necessariamente votos

Apesar da importância das redes, número de seguidores não pode ser interpretado automaticamente como força eleitoral.

Lucas Pavanato, por exemplo, foi eleito por São Paulo com 3.038.438 votos, enquanto Erika Hilton recebeu 1.596.472 votos no Estado.

Audiência digital, votação e capacidade de mobilização são indicadores diferentes.

Uma conta pode reunir seguidores de outros estados, pessoas que não são eleitoras daquele candidato e até usuários que acompanham o perfil sem necessariamente apoiá-lo eleitoralmente.

Influência digital passa a integrar poder político

Mesmo com essa diferença, o tamanho das audiências digitais representa um ativo importante na política contemporânea.

Parlamentares com milhões de seguidores possuem canais próprios de distribuição de informação e podem ampliar rapidamente o alcance de discursos, projetos e debates.

Ao mesmo tempo, essa mudança aumenta a importância de temas como transparência, desinformação, funcionamento dos algoritmos e responsabilidade sobre conteúdos publicados.

Nova Câmara será também uma Câmara digital

A próxima legislatura começará em 2027 com 513 deputados e uma taxa de renovação de 35,67%, com 183 parlamentares chegando ao primeiro mandato.

Parte relevante dessa nova composição chega ao Congresso com presença consolidada nas redes sociais.

Os números do Instagram ajudam a revelar uma transformação na própria dinâmica do poder político: além das bancadas partidárias, das comissões e do plenário, a disputa por influência ocorre cada vez mais nos feeds, vídeos e plataformas digitais.

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